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Enamed: Associação de Médicos do Brasil defende exame ao final do curso

Resultados do exame revelam que 13 mil recém-formados não atingiram nível esperado para prática segura; Associação Médica Brasileira alerta para riscos à população

Da redação
DA REDAÇÃO

20/01/2026 • 15:14 • Atualizado em 20/01/2026 • 15:14

Faculdades de Medicina: associação defende realização do exame

Faculdades de Medicina: associação defende realização do exame

Divulgação / Banco de Imagens

Os resultados do Enamed 2025 (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) revelam um cenário preocupante para a saúde pública no Brasil, com cerca de 13 mil estudantes concluintes sem a proficiência adequada para o exercício seguro da profissão. Diante dos dados apresentados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep, a Associação Médica Brasileira (AMB) defendeu a implementação imediata de um exame de proficiência como pré-requisito para o registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs).

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O cenário alarmante da formação médica

A avaliação abrangeu 351 cursos de medicina em todo o país. Desse total, 99 instituições sob regulação federal obtiveram conceitos 1 ou 2, faixas consideradas insatisfatórias pelo Inep. Embora a maioria dos cursos (67,1%) esteja em níveis aceitáveis, a presença de 32,6% com desempenho abaixo do mínimo exigido é vista com extrema preocupação pelas autoridades do setor.

Entre os 39.258 estudantes avaliados, apenas 67% demonstraram conhecimento técnico suficiente. Na prática, isso significa que milhares de médicos estão legalmente habilitados para atender pacientes sem terem atingido o nível de competência esperado para a graduação.

Proficiência como garantia de segurança

Atualmente, a conclusão do curso de graduação garante automaticamente o diploma e o direito ao registro no CRM. A AMB argumenta que essa terminalidade automática expõe a população a riscos incalculáveis de má prática médica.

A proposta da associação é que, sem a comprovação de proficiência técnica por meio de um exame nacional, o registro profissional não seja concedido. Segundo a entidade, a medida não visa punir o egresso, mas sim garantir padrões mínimos de qualidade e zelar pela segurança dos pacientes em todo o sistema de saúde.

Desigualdade entre instituições públicas e privadas

Os dados do Enamed também evidenciam uma forte assimetria no ensino médico brasileiro. Enquanto 84% dos cursos em universidades públicas federais e estaduais concentram-se em faixas de excelência, os piores desempenhos foram registrados majoritariamente em instituições municipais e privadas com fins lucrativos.

Para a AMB, esses achados confirmam alertas históricos sobre a expansão desordenada de escolas médicas sem infraestrutura adequada ou corpo docente qualificado. A entidade reforça que o foco das políticas públicas não deve ser a ampliação indiscriminada de vagas, mas a formação de "bons médicos" preparados para as demandas reais do Sistema Único de Saúde (SUS).

MEC anuncia sanções para cursos reprovados

O Ministério da Educação anunciou medidas rigorosas para as instituições de ensino que apresentaram desempenho insuficiente no exame. As punições incluem a suspensão total de ingresso de novos alunos, redução imediata do número de vagas e restrição de acesso ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).

As instituições avaliadas negativamente terão o prazo de 30 dias para apresentar defesa. No entanto, as sanções permanecerão em vigor até a próxima edição do Enamed, prevista para ser realizada em outubro de 2026.

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