A Polícia Federal avança na investigação daquele que é considerado o maior escândalo financeiro do país, envolvendo o Banco Master. A instituição, fundada em 1974 como Máxima Corretora, passou por uma transformação radical a partir de 2017, quando o empresário Daniel Vorcaro adquiriu participação no negócio. Sob a nova marca, adotada em 2021, o banco apresentou um crescimento explosivo, multiplicando sua carteira de crédito e oferecendo rendimentos atípicos, o que despertou suspeitas no mercado financeiro.
As investigações, conduzidas pela 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, apontam para uma fraude de mais de R$ 12 bilhões na venda de carteiras de crédito inexistentes entre o Banco Master e o BRB, instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal. A suspeita é de que recursos públicos tenham sido desviados para cobrir rombos financeiros na gestão de Vorcaro. Mesmo sob investigação, o conselho do BRB tentou adquirir 58% do capital do Master por R$ 2 bilhões em março de 2025, operação que foi barrada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano.
Prisões e bloqueios bilionários
A primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, resultou na prisão de Daniel Vorcaro momentos antes de um embarque para Dubai. A detenção ocorreu simultaneamente à decretação da liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central. Vorcaro, acusado de gestão fraudulenta e manipulação de balanço, permaneceu preso por dois dias.
Nesta segunda fase, a Polícia Federal mirou o cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, que teve o celular apreendido no Aeroporto de Guarulhos. A investigação considera este o ponto mais sensível do caso, devido à estreita ligação e influência de ambos nos Três Poderes e no cenário político de Brasília. Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, foram sequestrados e bloqueados bens que superam R$ 5,7 bilhões.
Intervenção do Supremo Tribunal Federal
O caso tomou novos rumos em janeiro de 2026, quando o ministro Dias Toffoli determinou o sigilo absoluto do processo e avocou a investigação para o STF, justificando o envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Toffoli ordenou que todos os itens apreendidos fossem entregues lacrados diretamente ao Supremo, medida incomum que gerou estranheza nos bastidores jurídicos.
O ministro também manifestou insatisfação com a condução dos trabalhos, citando "falta de empenho" e demora da Polícia Federal no cumprimento de medidas cautelares contra pessoas ligadas ao Banco Master. Enquanto a defesa de Vorcaro nega a intenção de realizar uma delação premiada, a apreensão de dispositivos eletrônicos de seus interlocutores mantém o alto escalão da capital federal em alerta sobre os próximos desdobramentos da investigação.
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