Band Jornalismo

Celso Amorim vê ‘precedente grave’ em tensão entre EUA e Venezuela

Assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais ainda não tratou sobre o assunto com Lula, mas reforça que a América do Sul quer ser uma zona de paz aberta ao diálogo

Túlio Amâncio
TÚLIO AMÂNCIO

17/12/2025 • 09:19 • Atualizado em 17/12/2025 • 09:19

Donald Trump e Nicolás Maduro

Donald Trump e Nicolás Maduro

REUTERS/Brian Snyder | REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, declarou à Band que o bloqueio anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Venezuela “é extremamente preocupante”.

Compartilhar

A declaração de Celso Amorim à Band foi feita em caráter pessoal. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência ainda não falou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema.

“É extremamente preocupante. Que eu me recorde, esta é a primeira ameaça de ataque de uma grande potência ao território continental sul-americano. Mesmo que o ataque não se concretize, terá sido um precedente grave”, disse Amorim.

“Somos e queremos ser uma zona de paz aberta ao diálogo e a cooperação com todos os países e regiões”, completou o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.

Entenda

Donald Trump anunciou, por meio de suas redes sociais, a designação oficial do regime venezuelano como uma Organização Terrorista Estrangeira. A medida vem acompanhada de uma ordem executiva para um "bloqueio total e completo" de todos os petroleiros que entram ou saem da Venezuela.

A medida representa mais um passo na escalada de pressão da Casa Branca sobre o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O republicano disse que a Venezuela "está cercada" pela "maior armada jamais reunida na história da América do Sul" e que ela "só continuará a crescer", até que a Caracas devolva "aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram anteriormente".

O presidente americano anunciou dessa forma o cerco ao país, em uma escalada importante da operação militar que iniciou nas águas internacionais do Mar do Caribe e que alegadamente tinha como objetivo central combater organizações do narcotráfico que atuam na região.

A Venezuela chamou de "irracional" e de "ameaça grotesca" o bloqueio anunciado por Donald Trump aos "petroleiros sancionados" que entram e saem do país. Caracas alega que a medida viola o direito internacional, o livre comércio e a livre navegação. A intenção do americano seria, na verdade, "se apropriar do petróleo, das terras e dos minerais do país".

"O presidente dos Estados Unidos pretende impor, de maneira absolutamente irracional, um suposto bloqueio naval militar à Venezuela com o objetivo de roubar as riquezas que pertencem à nossa pátria", afirmou o governo em um comunicado à imprensa. A declaração foi compartilhada pela vice-presidente do país, Delcy Rodríguez.

Tópicos relacionados