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PF investiga uso de avião e camarote de show nos EUA para Jaques Wagner

Ex-sócio do Banco Master teria custeado viagens e ingressos para familiares do líder do governo no Senado, segundo investigação da PF

Da redação
DA REDAÇÃO

18/06/2026 • 13:33 • Atualizado em 18/06/2026 • 18:07

Jaques Wagner

Jaques Wagner

Agência Brasil

A Polícia Federal aponta, em relatório de investigação, que o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, emprestou diversas vezes seu avião particular e custeou camarote em show nos Estados Unidos para o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, em 2023 e 2024, como parte de um conjunto de vantagens indevidas.

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Os indícios, segundo a PF, aparecem em diálogos extraídos do celular de Augusto Lima. As mensagens indicam que o parlamentar e familiares teriam utilizado a aeronave do empresário em diferentes ocasiões e recebido ingressos para um show de cantora internacional em Los Angeles.

Para os investigadores, esses benefícios se somam a outros pagamentos que caracterizariam propina ao senador, como a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para uma empresa controlada pela nora de Jaques Wagner.

A PF sustenta que o conjunto de vantagens teria relação com interesses do Banco Master e de empresas associadas junto ao poder público. A apuração busca identificar eventuais contrapartidas em decisões políticas e administrativas.

Deslocamentos em avião particular

Em um dos episódios descritos na representação, de outubro de 2023, Augusto Lima combinou com Jaques Wagner um encontro em uma ilha de sua propriedade, na região de Salvador. De acordo com o relatório, o empresário colocou sua aeronave particular à disposição do senador e de familiares para o trajeto entre a capital baiana e o local do encontro.

Os investigadores registram que Augusto enviou, por mensagem, o prefixo do avião e o horário do voo ao parlamentar. A PF cita o episódio como exemplo da proximidade entre o empresário e o líder do governo no Senado.

Já em abril de 2024, ainda conforme a PF, Jaques Wagner pediu a Augusto Lima o contato do piloto da aeronave para realizar um voo ao Rio de Janeiro. Para os policiais, o pedido reforça que o uso do avião particular se tornou recorrente.

Ingressos para show em Los Angeles

As conversas analisadas também mencionam um pedido de Jaques Wagner para que Augusto Lima providenciasse ingressos para um show de cantora internacional em Los Angeles, na Califórnia, destinado a familiares do senador.

Em junho de 2023, de acordo com a investigação, o empresário orientou sua secretária a comprar os bilhetes, operação que teria sido concluída pela empresa Reag Investimentos S.A., ligada ao gestor João Carlos Mansur. A PF aponta que Mansur é suspeito de auxiliar o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro em crimes financeiros.

A aquisição dos ingressos teria custado R$ 63.339 e resultou em lugares em camarote para o grupo ligado ao senador. Em novembro de 2023, Jaques Wagner questionou Augusto sobre os 'ingressos de sábado', relativos ao dia 25 daquele mês, e recebeu os arquivos com as entradas. Em seguida, pediu a ampliação do número de bilhetes para cinco pessoas, ao que Augusto teria respondido: 'Pronto, amigo. Seguem os outros dois. Abs.'.

Outros benefícios citados pela PF

Além das viagens e dos ingressos, a PF afirma que Augusto Lima participou da compra de um apartamento de alto padrão, avaliado em R$ 2,5 milhões, em benefício de Jaques Wagner. A operação é tratada pelos investigadores como parte de um suposto pagamento de propina.

Os autos também mencionam repasses de cerca de R$ 3,5 milhões a uma empresa da nora do senador, valores que, na visão da PF, integrariam o mesmo conjunto de vantagens investigadas. As autoridades ainda buscam comprovar se houve troca de favores entre o parlamentar e os empresários.

O que dizem as defesas

Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias, uma vez que o empresário está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.

Os advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello declararam que 'Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública'.

A defesa de Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre a operação e as suspeitas levantadas pela PF até a publicação desta reportagem.

Com informações do Estadão Conteúdo.