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Internacional

Funeral de líder do Irã reúne multidão com gritos de "morte à América"

Irã exibe força no Estreito de Ormuz enquanto negociador adverte EUA, França e Reino Unido sobre presença militar

3 min

04/07/2026 11:58 • Atualizado há 112 dias

Funeral de líder do Irã reúne multidão com gritos de "morte à América"

Centenas de milhares de pessoas se reuniram neste sábado (4) em Teerã para o início do funeral de vários dias do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morto aos 86 anos em um ataque aéreo em 28 de fevereiro, nos momentos iniciais da guerra iraniana, em meio ao aumento da tensão com os Estados Unidos.

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Durante a cerimônia, participantes bateram no peito em sinal de luto diante do caixão coberto com a bandeira iraniana e entoaram slogans pedindo vingança contra Israel e os EUA. O governo escolheu o 4 de julho, dia em que os americanos celebram o 250º aniversário de sua independência, para marcar o início do cortejo.

Na capital iraniana, a multidão respondeu com gritos de "Morte à América!" e "Morte a Israel!", palavras de ordem que se tornaram recorrentes no país desde a Revolução Islâmica de 1979 e a tomada da embaixada dos EUA em Teerã, que desencadeou a crise dos reféns.

Cerimônia fortalece novo líder

O funeral de Khamenei, que comandou a República Islâmica por décadas, é visto internamente como uma oportunidade para reforçar a teocracia do país e consolidar a liderança de seu sucessor, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo.

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A cerimônia em Teerã é a primeira de uma série de eventos que devem se estender por vários dias em diferentes cidades, em um momento em que o governo tenta exibir coesão interna diante das pressões externas e das negociações com Washington.

Disputa pelo Estreito de Ormuz

Ao mesmo tempo em que presta homenagens ao antigo líder, o Irã tenta usar seu controle sobre o Estreito de Ormuz como peça-chave nas conversas com os EUA para um acordo que encerre de forma permanente a guerra, enquanto persiste a preocupação de que Israel possa realizar novos ataques.

Durante o funeral, o principal negociador iraniano, Kazem Gharibabadi, criticou uma declaração conjunta do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e do presidente francês, Emmanuel Macron, que sugeriu que militares dos dois países estão prontos para patrulhar o Estreito de Ormuz, estreita entrada do Golfo Pérsico por onde passa, em tempos de paz, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural.

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Em mensagem publicada na rede X, Gharibabadi afirmou que "a segurança de Ormuz reside nos estados costeiros" e alertou que "os criadores da crise serão responsabilizados pelas consequências de seu aventureirismo". Segundo ele, trata-se de "um aviso sério" aos países ocidentais que cogitam aumentar sua presença militar na região.

Trump comenta funeral e provoca reações

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump abordou o funeral em um discurso na Dakota do Sul, em frente ao Monte Rushmore. "Demos uma surra no Irã", afirmou o republicano, ao dizer que Teerã "quer tanto um acordo" e que Washington teria concedido "uma semana de folga para um funeral".

As declarações repercutiram entre os enlutados em Teerã. No complexo de Grand Mosalla, vários participantes exibiram uma grande bandeira com a inscrição "#MatemTrump", em mais um sinal do clima de hostilidade em relação à Casa Branca.

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Os cânticos contra os Estados Unidos e Israel, combinados com as críticas às potências europeias, reforçam o tom de confronto adotado por Teerã no momento em que o país tenta equilibrar as homenagens ao líder morto com a necessidade de negociar saídas diplomáticas para a crise.

O cortejo de Ali Khamenei deve seguir pelos próximos dias, sob acompanhamento atento da comunidade internacional e em meio à preocupação de que qualquer novo incidente militar no Estreito de Ormuz ou em território iraniano possa provocar uma escalada ainda maior no conflito.

Com informações do Estadão Conteúdo.

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