
Javier Milei e Lula no G20
Ricardo Stuckert / PR
Resumo
Decisão do governo brasileiro encerrou a custódia da Embaixada da Argentina em Caracas, função assumida em agosto de 2024 a pedido do governo Javier Milei após a expulsão dos diplomatas argentinos pelo presidente Nicolás Maduro, fato comunicado oficialmente às autoridades argentinas e venezuelanas na última sexta-feira (9).
Escalada de tensões entre Brasil e Argentina agravou-se com críticas públicas de Milei a Lula e divergências sobre a Venezuela e a atuação militar dos Estados Unidos, refletindo desgaste nas relações bilaterais e impacto direto na cooperação diplomática.
Alternativa para a custódia da embaixada argentina em Caracas está sob análise pelo governo de Buenos Aires, com possibilidade da Itália assumir o posto, enquanto o episódio evidencia fragilidades nas relações regionais e influencia temas de diplomacia e segurança internacional.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu encerrar a custódia da Embaixada da Argentina em Caracas, na Venezuela, função que o Brasil vinha exercendo desde agosto de 2024, após o governo argentino de Javier Milei solicitar apoio diante da expulsão de seus diplomatas por parte de Nicolás Maduro. A informação foi publicada originalmente pelo jornal argentino La Nación e confirmada por veículos brasileiros e internacionais.
A decisão foi comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores às autoridades argentinas e à presidência interina venezuelana de Delcy Rodríguez, conforme apurado. A comunicação formal ocorreu na última sexta-feira (9), e, segundo relatos, Buenos Aires deverá agora retomar o posto ou indicar outro país para assumir a representação diplomática em Caracas. Procurado, o Itamaraty preferiu não comentar oficialmente a medida.
O Brasil assumiu a tutela da embaixada no ano passado depois que membros da oposição venezuelana, alinhados à líder María Corina Machado, buscaram abrigo na sede diplomática em Caracas durante um período em que a relação entre Buenos Aires e Caracas estava profundamente deteriorada. Na época, diplomatas argentinos foram forçados a deixar a Venezuela por ordem de Maduro, e o Brasil passou a proteger o imóvel, seus interesses e os refugiados que ainda lá se encontravam.
Relações bilaterais sob tensão
A saída brasileira do papel de depositário da missão argentina ocorre em meio a uma escalada de atritos entre Brasília e Buenos Aires. Fontes diplomáticas relatam que a relação entre Lula e Milei é “ruidosa” e vem se desgastando progressivamente desde o início do governo argentino. A situação ficou ainda mais delicada após Milei publicar nas redes sociais um vídeo e críticas públicas envolvendo Lula e a crise venezuelana, postagens que teriam irritado o governo brasileiro.
A divergência entre os dois líderes também se manifesta em posições contrastantes sobre a Venezuela e a ação militar dos Estados Unidos no país vizinho — que Milei chegou a elogiar enquanto Lula criticou qualquer intervenção externa e defendeu a soberania nacional, postura alinhada à visão de outros governos latino-americanos.
O futuro da representação em Caracas
Com a decisão de Brasília de deixar a representação, a Argentina agora avalia alternativas para preencher a lacuna diplomática deixada. Fontes jornalísticas mencionaram que a Itália estaria entre os países que poderiam assumir a custódia da embaixada em Caracas, ainda que não exista confirmação oficial até o momento.
O episódio expõe as atuais fragilidades nas relações entre dois dos maiores países da América do Sul e ressalta como questões ideológicas e posicionamentos sobre crises externas podem afetar a cooperação regional em temas sensíveis como diplomacia e segurança internacional.
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