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Guerra na Ucrânia começou há 11 anos e acumula questões territoriais; entenda

Europa e os Estados Unidos negociam, nos bastidores, garantias de segurança para a Ucrânia, fora do âmbito da Otan

Emanuele Braga
EMANUELE BRAGA

23/08/2025 • 16:06 • Atualizado em 23/08/2025 • 16:06

Conflito entre Ucrânia e Rússia, na verdade, se arrasta há 11 anos

Conflito entre Ucrânia e Rússia, na verdade, se arrasta há 11 anos

REUTERS/Alexander Ermochenko

O conflito entre Rússia e Ucrânia, que completou três anos desde os primeiros bombardeios russos nas principais cidades ucranianas, na verdade, tem 11 anos de existência – e começou no início de 2014, quando os russos anexaram a península da Crimeia.

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No mesmo ano, partes da região de Donetsk e Luhansk foram ocupadas pelas forças russas. Cidades que, mais tarde, também seriam alvo de grupos opositores do governo ucraniano e que pediam pelo aumento da “soberania” russa na região.

Ocupação da Crimeia – início do conflito

Em 2008, a Organização do Tratado do Atlântico Norte prometeu aceitar a Geórgia e Ucrânia na aliança. Putin, que já havia criticado o tratado, e era o atual primeiro-ministro do país, acionou os mecanismos de “defesa”, ocupando partes da Geórgia. Em 2014, os russos atacaram a região da Crimeia e a anexaram ao país ilegalmente.

Foi aí que relação dos dois países, Rússia e Ucrânia, foi estremecida. Naquele ano, os russos cruzaram, ilegalmente, a fronteira estadual ucraniana para a ocupação “temporária” da Crimeia.

De acordo com o governo local, os militares russos, que não tinham distintivos e não foram identificados, bloquearam unidades militares ucranianas e desligaram a TV estatal. No mês seguinte, os russos fizeram uma espécie de referendo, no qual há uma consulta popular pela aprovação – ou rejeição – de uma lei ou ato administrativo, sobre o status da Crimeia.

A anexação do território se deve, principalmente, à posição geográfica em que ocupa. A Crimeia é um atalho para o Mar Negro a partir do Mar de Azov, que passa pelo território russo e parte da Ucrânia. Veja na imagem abaixo.

Guerra de Donbass

Até o “estopim” da guerra, em 2022, os dois países trocaram bombardeios. Inclusive, em 2014, houve uma tentativa de ‘apaziguar’ a situação entre os países com os acordos de Minsk, assinados na Bielorrusia.

O tratado tinha o objetivo de pôr fim à guerra de Donbass, região do leste ucraniano, que se caracterizava como uma “rebelião pró-russa”, dentro da Ucrânia. Em suma, Donbass é a abreviação da Bacia do Donets, que passa por Donetsk e Luhansk.

O conflito armado dividia o país em dois: forças separativas, ligadas às Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, que se autoproclamaram independentes, mas não foram reconhecidas internacionalmente, e o governo ucraniano, que considera as áreas parte do seu território – e combateu o movimento. Os separatistas ucranianos queriam aumentar a soberania russa dentro do país.

Apesar de assinado, o acordo foi violado pelos dois países e, sendo assim, não foi completamente implementado, de acordo com o instituto focado em política internacional Chatam House. O conflito de Donbass só “terminou” em 2022, quando os bombardeios russos nas principais cidades ucranianas, como a capital Kiev, ganharam repercussão internacional.

Estopim da guerra: Rússia invade e bombardeia Ucrânia

Em 24 de fevereiro de 2022, o presidente russo Vladimir Putin inicia a invasão à Ucrânia pelas regiões Norte, Leste e Sul. Cidades como Kiev, Kherson e Mariupol são cercadas. A primeira contraofensiva ucraniana aconteceria seis meses depois, nas regiões leste e sul.

Em setembro, a Rússia anexou, ilegalmente, as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhizhia, embora não exercesse o controle total de nenhuma delas. Mais tarde, a Ucrânia recuperou Kherson.

A partir de então, os bombardeios e invasões russas contra a Ucrânia se tornaram ainda mais frequentes, assim como as contraofensivas ucranianas.

Trump toma posse nos EUA e gera expectativa sobre o fim da guerra

No início de 2025, os Estados Unidos elegeram o seu 47° presidente: Donald Trump. A eleição, no entanto, gerava incertezas sobre o apoio de Washington à Ucrânia no conflito. Um ano antes, quando ainda era candidato, Trump chegou a prometer que encerraria o conflito no leste europeu.

Mesmo sob a expectativa de negociações ditas por Trump, em junho deste ano, a Rússia afirmou ter conseguido tomar o controle total de Luhansk, uma das quatro regiões anexadas em 2022. Assim o fez, também, com a cidade Chasiv Yar.

O Kremlin, então, intensificou os esforços militares em Donetsk, região em que a Rússia tentava tomar, definitivamente, capturando pequenas vilas e se aproximando de Pokrovsk.

Trump se encontra com Putin

No dia 15 de agosto, sob a proposta de encontrar um acordo para o fim da guerra, o presidente russo se encontrou com Donald Trump, no Alasca, para a primeira cúpula Rússia-EUA em quatro anos. Mesmo depois de 4h30 de reunião, as partes não chegaram a um acordo de paz.

Três dias depois, líderes europeus, Donald Trump e Zelensky estiveram juntos na Casa Branca para discutir as possibilidades pelo fim do conflito. Ao fim da reunião, houve um consenso: o cessar-fogo depende da negociação de territórios entre os dois países.

A região de Donbass, citada no início desta reportagem, continua sendo um dos principais alvos de Putin em troca do acordo de paz. Isso porque é considerada o “coração industrial” da Ucrânia, é rica em minério de ferro, a maioria da população fala russo e mantém forte ligação com Moscou.

O presidente russo ainda exige a retirada de tropas militares ucranianas da região, que inclui as províncias de Donetsk e Luhansk, em troca de parar a guerra em outras cidades, como Kherson. Por outro lado, a Ucrânia já avisou que não vai ceder o território.

Crimeia entra nas exigências de Putin

Anexada ilegalmente desde 2014, a Crimeia também entrou na lista de exigências de Vladimir Putin, que deseja o reconhecimento internacional do território.

Agora, a Europa e os Estados Unidos negociam, nos bastidores, garantias de segurança para a Ucrânia, fora do âmbito da Otan, já que Putin também não quer que os ucranianos integrem a organização. Inclusive, a possível entrada do país na aliança foi um dos motivos alegados por Putin para começar a guerra.