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Irã ameaça ataques a alvos civis, parques e destinos turísticos de inimigos

Porta-voz militar diz que parques e áreas de lazer de inimigos não são seguros enquanto Teerã mantém produção de mísseis

Da redação
DA REDAÇÃO

20/03/2026 • 14:28 • Atualizado em 20/03/2026 • 14:33

Irã ataca navio na costa Norte de Omã

Irã ataca navio na costa Norte de Omã

ROYAL THAI NAVY/Handout via REUTERS

O Irã ameaçou atingir parques, áreas recreativas e destinos turísticos ligados a seus inimigos em todo o mundo nesta sexta-feira (20), quase três semanas após o início de ataques de Estados Unidos e Israel que mataram altos líderes iranianos e miraram suas indústrias de armas e energia.

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O principal porta-voz militar iraniano, general Abolfazl Shekarchi, afirmou que "parques, áreas recreativas e destinos turísticos" deixaram de ser seguros para os adversários de Teerã. A declaração reacendeu o temor de que a República Islâmica volte a recorrer a atentados fora do Oriente Médio como forma de pressão.

Nowruz sob clima de guerra

Nesta mesma sexta-feira, o Irã lançou novos ataques contra Israel e contra instalações energéticas em países árabes vizinhos do Golfo, em um dia considerado sagrado no calendário muçulmano. No país, os iranianos marcaram o Ano-Novo persa, o Nowruz, tradicionalmente festivo, em clima mais contido por causa do conflito.

Com poucas informações saindo da República Islâmica desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, ainda não está claro o tamanho dos danos às instalações militares, nucleares e energéticas iranianas, nem mesmo quem exerce efetivamente o comando do Estado. Apesar disso, Teerã já demonstrou capacidade de atingir o fornecimento de petróleo e impactar a economia global.

Discurso de Mojtaba Khamenei

Em mensagem escrita lida na televisão estatal para marcar o Nowruz, o líder supremo Mojtaba Khamenei elogiou a resistência da população diante da guerra. Ele disse que os ataques americanos e israelenses se basearam na "ilusão" de que a morte dos principais líderes iranianos derrubaria o governo.

Na visão de Khamenei, os iranianos "construíram uma frente defensiva nacional" e "desferiram um golpe tão desconcertante que o inimigo caiu em contradições e declarações irracionais", segundo a leitura transmitida pela emissora oficial.

Khamenei não aparece em público desde que assumiu o posto de líder supremo, após o assassinato de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques atribuídos a Israel no início da guerra. Autoridades americanas e israelenses suspeitam que o novo dirigente tenha ficado ferido.

Reforço militar dos EUA e de Israel

Do lado americano, um funcionário dos EUA confirmou o envio adicional de forças à região, informando que o navio de assalto anfíbio USS Boxer e outros dois navios foram mobilizados com cerca de 2,5 mil fuzileiros navais. Outros dois funcionários confirmaram o deslocamento, sem revelar o destino das embarcações, todos sob condição de anonimato por se tratar de operação sensível.

O Exército israelense informou ainda que Esmail Ahmadi, chefe de inteligência da Basij, força de segurança interna iraniana, morreu em um ataque aéreo no início da semana, que também atingiu outros líderes do grupo.

Irã contesta narrativa sobre mísseis

Na quinta-feira (19), o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, declarou que a Marinha iraniana foi destruída, que a força aérea do país está em frangalhos e que a capacidade de produção de mísseis balísticos foi eliminada. A Guarda Revolucionária Islâmica contestou essa avaliação.

Segundo o porta-voz da Guarda Revolucionária, general Ali Mohammad Naeini, o Irã segue fabricando armamentos. "Estamos produzindo mísseis mesmo em condições de guerra, o que é impressionante, e não há problema particular em estocar", disse ele, de acordo com o jornal estatal IRAN.

Pouco depois da divulgação da declaração, a televisão estatal iraniana informou que Naeini morreu em um ataque aéreo.

Com informações do Estadão Conteúdo e da Associated Press