Caso seja confirmado o acordo de paz negociado entre Estados Unidos e Irã, o regime do país persa sairá fortalecido, na avaliação de especialistas convidados a participar do programa Canal Livre deste domingo (21). “O Irã se transformou em um ator muito maior do que ele era em janeiro”, avalia o professor Leonardo Trevisan.
Segundo ele, o poder conquistado pelo Irã vem de seu poder bélico, mas também do Estreito de Ormuz. Trevisan aponta que o local foi responsável para equilibrar as forças entre os dois países, uma vez que seu fechamento causou consequências para o mundo todo. "Teve o efeito de uma bomba atômica”, diz o professor Sidney Leite.
O Irã, ao contrário de diminuir a capacidade dos mísseis, ele deu um show para o mundo inteiro ver. Ele atacou [a ilha de] Diego Garcia, no Oceano Índico, a 4 mil km de Teerã. Dobrou a capacidade dos mísseis iranianos e mostrou para todo mundo o que ele sabe fazer. --Leonardo Trevisan
Outro ponto importante no fotalecimento do Irã está a estratégia de deslocar o centro das tensões para o Líbano. Segundo Trevisan, o objetivo por trás dessa manobra não é focar apenas o sofrimento libanês, mas sim criar um bloqueio real à possibilidade de construção do projeto de uma "Grande Israel".
Essa conjuntura cria a primeira grande armadilha para os Estados Unidos. A potência norte-americana --assim como a China-- não pode permitir que o Líbano seja simplesmente esmagado, o que obriga que as ações de Israel na região sejam repensadas e um freio seja colocado em suas ambições.
A lógica trumpista
O segundo grande dilema para os Estados Unidos envolve a forma de lidar com a economia e as sanções iranianas. A lógica política adotada por Donald Trump sugeria que a crise poderia ser resolvida "comprando" o país, com promessas de liberação de bilhões de dólares e um plano de reconstrução que poderia chegar a US$ 300 bi.
Contudo, essa via encontra dura resistência, até mesmo dentro da extrema-direita americana. Trevisan recordou uma declaração do senador republicano Lindsey Graham que alertou que dar dinheiro ao Irã seria o equivalente a implementar um "Plano Marshall com os nazistas no poder".
O cenário final é de um beco sem saída complexo para os americanos, na avaliação dos especialistas: se houver injeção de dinheiro e alívio das sanções, o regime iraniano ficará ainda mais forte; por outro lado, se não houver acordo financeiro, o Irã mantém a ameaça constante de fechar o Estreito de Ormuz.
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