A disputa dos candidatos ao Planalto foi marcada nesta sexta-feira (31) pela definição do Progressistas (PP) de não integrar a chapa de Flávio Bolsonaro (PL), revés que reorganiza o tabuleiro das alianças à direita e que o comando da campanha do senador classificou como "um banho de água fria".
Em nota, o PP afirmou que, após consulta aos diretórios estaduais, decidiu por maioria permanecer neutro no processo eleitoral, e acrescentou que a definição já foi comunicada e acatada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). O candidato do PL ainda tentou um apelo à legenda, frisando que Tereza Cristina já havia aceitado ser vice na chapa.
Para a decisão da legenda pesou principalmente a pressão das bancadas do Nordeste, que contam com a neutralidade do partido para subir no palanque de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de um café da manhã com vereadores de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio minimizou o desfecho.
"Assim nós vamos caminhando. Respeitando as decisões internas dos partidos e também sempre respeitando a realidade de cada estado, como os seus partidos se comportam em relação à esfera federal. Enfim, até o dia 5 tudo pode acontecer", afirmou.
O plano B do PL passa a ser buscar um vice no Republicanos. A cúpula do partido sonda os diretórios estaduais com a ideia de que, em troca do apoio, o PL desista de lançar candidatos próprios onde o Republicanos diz ter nomes competitivos, como Sergipe, Acre e São Paulo. Nesse cenário, a preferência de Flávio é pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques.
Do outro lado, Lula iniciou nesta sexta o primeiro giro eleitoral da campanha. O presidente seguiu para o Ceará e, na sequência, vai à Bahia e a São Paulo, sem agenda de governo nos estados — a participação será em convenções partidárias. No domingo, o petista será lançado oficialmente à reeleição em convenção na capital paulista.
A chapa já está fechada, com o PSB de Geraldo Alckmin novamente na vice e, assim como em 2022, palanque composto também por PDT, PC do B, PV e PSOL. A avaliação da campanha é que a vantagem de Lula no Nordeste, apontada pelas pesquisas, segue estável, enquanto no Sudeste, sobretudo em São Paulo e Minas Gerais, a intenção é melhorar os números.
O presidente virou alvo dos adversários após a abertura de inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência no Ministério da Saúde.
Em entrevista a um podcast, Lula disse que não haverá proteção ao filho. "Ele jura todo dia. Se for julgado, ele virá para cá. Não tem nada escondido, não. Não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai ter que provar que ele é inocente como eu provei. Vai ter que provar. E se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra", declarou.
Ronaldo Caiado (PSD) cumpriu agenda em Belo Horizonte e ironizou: "Qual a preocupação do presidente hoje da República? É cuidar da saúde ou da educação, da segurança, ou é usar toda a máquina que tem do governo para tentar salvar o filho dele?"
Sem agenda pública, Romeu Zema (Novo) usou as redes sociais para atacar o presidente e associá-lo às fraudes do INSS. Também sem compromissos públicos nesta sexta, Renan Santos (Missão) não teve agenda divulgada. À noite, o PSTU lançou, em São Paulo, a candidatura do professor Hertz Dias à Presidência.
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