As chamadas "canetas emagrecedoras" tornaram-se ferramentas cada vez mais populares no Brasil devido à sua eficácia no combate à obesidade. No entanto, o uso indiscriminado e a interrupção repentina do medicamento acendem um alerta médico: o risco do temido "efeito sanfona".
Uma pesquisa recente apontou que quase 60% dos brasileiros já conhecem essas canetas, um percentual acima da média global. Apesar da alta adesão, especialistas reforçam que o medicamento exige acompanhamento rigoroso e não é indicado para todos os públicos.
Eficácia no combate à obesidade
Para pacientes com quadros graves, o tratamento tem se mostrado um divisor de águas. A influenciadora Valentina Miascovsky relata que emagrecer sempre foi um desafio. Antes do tratamento, ela pesava 136 kg e sofria de esteatose hepática e obesidade grau 3.
"Com a medicação, perdi 38 kg e ganhei 19 kg de massa magra em sete meses", conta Valentina.
Nas redes sociais, ela compartilha sua evolução, mas mantém o objetivo de, no futuro, não depender mais do fármaco. Atualmente, ela passa por um processo de redução gradual da dose para controlar a fome e a compulsão alimentar.
O perigo da interrupção e o efeito sanfona
O grande risco associado a essas canetas está na suspensão do uso. Segundo Marcio Mancini, chefe do grupo de obesidade da USP, a obesidade é uma doença crônica e, portanto, não tem cura definitiva.
Para a maioria dos pacientes, o tratamento precisa ser prolongado. "Quando ele interrompe o uso, tudo isso acaba voltando. E com isso acontece o efeito sanfona, que nada mais é do que a interrupção do tratamento", explica o endocrinologista.
Um fator determinante para essa interrupção é o financeiro. O alto custo das canetas faz com que muitas pessoas parem de comprá-las abruptamente, resultando no ganho de peso imediato.
Uso estético não é recomendado
A popularização do medicamento trouxe também um uso distorcido: pessoas buscando emagrecimento rápido para eventos sociais. A nutróloga Andrea Pereira é enfática ao desaconselhar essa prática.
"É um remédio para você tratar ou obesidade ou diabetes, ou os dois. Não para você perder peso para uma festa ou para o final de ano", alerta a médica.
A recomendação unânime entre os profissionais de saúde é que o uso seja feito apenas com prescrição e acompanhamento médico, focado em tratar a doença e suas causas, e não apenas a estética momentânea.
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