Jornal da Band

CNJ cria rede de juízes para acelerar processos contra facções criminosas

Com mais de 12 mil ações penais em andamento, Conselho Nacional de Justiça busca integrar magistrados para agilizar sentenças e combater poder paralelo

PEDRO TEIXEIRA

23/03/2026 • 21:06 • Atualizado em 23/03/2026 • 21:06

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anuncia a criação de uma rede de magistrados especializada em organizações criminosas para enfrentar o avanço das facções no Brasil. A iniciativa busca conectar juízes de todo o país para a troca de experiências e o estabelecimento de canais de cooperação técnica, com o objetivo central de conferir maior agilidade aos processos judiciais que envolvem o crime organizado.

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Atualmente, o Judiciário brasileiro contabiliza 12.448 ações penais em andamento relacionadas a essas organizações. Dados do Painel Nacional do Crime Organizado revelam um crescimento alarmante na demanda judicial: em cinco anos, o número de novos processos saltou de 2.607, em 2020, para 6.761, em 2025, o que representa um aumento de quase 160%.

Ameaça às instituições e ao Estado de Direito

O tema foi o eixo central de um encontro realizado na sede do CNJ, onde autoridades debateram a influência das facções, que operam como um poder paralelo no país, dominando territórios e infiltrando-se em instituições públicas e presídios. Para o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a atuação desses grupos representa uma ameaça direta ao Estado de Direito.

Segundo a análise de Edson Fachin, o crime organizado corrói as instituições, captura mercados lícitos e financia a violência estrutural. O ministro ressalta que essas organizações instrumentalizam o sistema financeiro para a lavagem de dinheiro e chegam a disputar com o Estado o monopólio do uso da força em territórios vulneráveis e abandonados pelo poder público.

Estrutura e próximos passos da rede especializada

A proposta da rede especializada visa criar uma estrutura de suporte para que os magistrados possam lidar com a complexidade dos crimes de colarinho branco e a violência das facções de forma mais eficiente. A ideia é que a especialização permita decisões mais céleres, evitando que processos se arrastem por anos sem uma sentença definitiva.

Apesar do anúncio da criação da rede, a implementação definitiva da proposta ainda depende de uma votação formal no plenário do próprio Conselho Nacional de Justiça. Caso aprovada, a rede deve começar a operar integrando tribunais estaduais e federais em uma base de dados e cooperação unificada.