Jornal da Band

Custo de vida e preservação: os desafios de morar na Groenlândia

Com aluguéis de R$ 7,5 mil e leite a R$ 25, ilha no Ártico equilibra isolamento geográfico com a segunda maior reserva de minerais raros do mundo

Da redação
DA REDAÇÃO

16/01/2026 • 20:20 • Atualizado em 16/01/2026 • 20:20

Viver na Groenlândia, um dos territórios mais isolados e inóspitos do planeta, exige um alto planejamento financeiro e resiliência diante de condições extremas. Como quase todos os produtos são importados e enfrentam logísticas complexas por mar ou ar, os preços de itens básicos atingem patamares exorbitantes. O enviado especial Felipe Kieling acompanhou a rotina na capital, Nuuk, onde um voo vindo de Copenhague, na Dinamarca, dura cerca de cinco horas e a oferta de transporte internacional é limitada a no máximo três pousos diários.

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O custo de sobrevivência reflete a dificuldade de acesso. No comércio local, um litro de leite chega a custar R$ 25, enquanto um pote de manteiga sai por quase R$ 30. O vestuário técnico, essencial para suportar as baixas temperaturas, também pesa no orçamento: um casaco de inverno custa em média R$ 5 mil e um par de botas R$ 2,5 mil.

Embora não haja um salário mínimo estabelecido por lei, estima-se que um morador precise de uma renda mensal de pelo menos R$ 15 mil para arcar com as despesas básicas.

Moradia, energia e o contraste da riqueza mineral

A habitação é o item que mais consome a renda dos groenlandeses. O aluguel de um apartamento de apenas um quarto no centro de Nuuk custa, em média, R$ 7,5 mil. Somado a isso, o aquecimento residencial não é um luxo, mas uma questão de sobrevivência. Para uma família de quatro pessoas, os gastos mensais com energia, iluminação e água quente giram em torno de R$ 3 mil. Em contrapartida a esse custo elevado, os serviços de saúde e educação são oferecidos gratuitamente pelo governo.

Abaixo do solo congelado, no entanto, reside um potencial econômico trilionário. A Groenlândia detém a segunda maior reserva de minerais raros do mundo, atrás apenas da China, incluindo ouro, grafite e terras estratégicas cobiçadas por potências globais.

Dilema entre exploração e tradição

O aproveitamento desses recursos enfrenta barreiras que vão além da economia. Segundo Romain Meyer, chefe do serviço de geologia do governo local, existe um rigoroso padrão ambiental e uma forte resistência cultural das populações indígenas, que priorizam a preservação da natureza.

Para as comunidades locais, o valor central não é o ganho financeiro imediato, mas a manutenção de tradições como a pesca. O governo busca conscientizar os moradores mostrando que os minerais extraídos ali são fundamentais para ferramentas do dia a dia, como celulares e sonares de pesca. Contudo, qualquer iniciativa que ameace o ecossistema sofre forte rejeição, mantendo grande parte dessa riqueza intocada em favor do estilo de vida tradicional do Ártico.