O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que o Banco de Brasília (BRB) deveria ter detectado as irregularidades nas carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. Em depoimento que integra as apurações sobre o caso, o diretor foi enfático ao apontar falhas nos mecanismos de controle da instituição pública brasiliense, que adquiriu ativos classificados como "créditos podres".
Para Aquino, a estrutura de conformidade do banco estatal não operou como deveria diante da magnitude da operação. "Eu tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado, não tenho dúvidas disso", declarou o diretor, reforçando que a identificação da inexistência dos créditos era tecnicamente possível.
Falha na governança e técnicas de auditoria
A crítica do diretor de Fiscalização do BC atinge diretamente a gestão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que durante acareação com Daniel Vorcaro, dono do Master, alegou que o banco só percebeu o padrão documental suspeito meses após o início das compras. Aquino contesta a tese de que a fraude seria indetectável no curto prazo.
Segundo o diretor, a aplicação de protocolos padrão de auditoria bancária permitiria rastrear a origem e a veracidade dos títulos antes da conclusão das transações. "Aplicando-se técnicas, é possível a identificação da existência ou não dos créditos", ressaltou o executivo do Banco Central, sugerindo que houve negligência ou ineficiência nos filtros de risco do BRB.
O impacto da fiscalização no setor financeiro
A declaração de Ailton Aquino aumenta a pressão sobre o BRB e também sobre o próprio Banco Central. Recentemente, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, abriu uma investigação interna para apurar por que a fiscalização da autoridade monetária não agiu com maior celeridade para impedir a liquidação do Banco Master, uma vez que os problemas de liquidez já eram conhecidos desde a gestão de Roberto Campos Neto.
O foco dos investigadores agora se volta para a "due diligence" (diligência prévia) realizada pelo BRB. A Polícia Federal suspeita que a venda desses títulos falsos gerou um rombo de R$ 12 bilhões, utilizando-se de empresas como a Tirreno para consolidar créditos que, na prática, não possuíam lastro real.
Desdobramentos e a CPI Mista
As afirmações do diretor de Fiscalização corroboram as suspeitas da Polícia Federal de que as transações entre Master e BRB não foram devidamente monitoradas. O caso, que já está sob análise do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF), ganha contornos políticos com a convocação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento na CPI Mista do INSS na próxima semana.
A comissão investiga se o mesmo padrão de "inconsistências" detectado em contratos do INSS — que chegam a 250 mil registros — foi replicado nas operações com o banco estatal do Distrito Federal. A expectativa é que novos nomes da alta cúpula do BRB e do Banco Central sejam chamados a explicar por que os alertas de governança, citados por Aquino, foram ignorados.
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