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Caso Master: Daniel Vorcaro e ex-BRB divergem sobre origem de créditos

Empresário e ex-presidente do banco público mantêm versões opostas sobre pagamentos de R$ 6 bi; defesa critica vazamento de perguntas sigilosas.

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 20:06 • Atualizado em 29/01/2026 • 20:06

Resumo

Acareação realizada pela Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025 confrontou depoimentos divergentes do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, sobre a origem das carteiras de crédito e a real liquidez de operações bilionárias, após o sigilo dos depoimentos ser retirado pelo ministro do STF Dias Toffoli.

Contradição central envolveu o conhecimento do BRB sobre créditos originados pela empresa Tirreno, com Vorcaro alegando que o banco estava ciente da participação de terceiros, enquanto Costa afirmou que essa informação só apareceu meses depois, além de discordâncias sobre padrões documentais, validação de ativos e liquidez dos pagamentos relacionados à operação.

Vazamento de informações sigilosas durante a audiência gerou protestos da defesa de Vorcaro, que denunciou a rápida divulgação à imprensa, enquanto a autoridade policial reconheceu o prejuízo institucional; ao final, Vorcaro defendeu a lisura das operações e negou prejuízo financeiro ao BRB.

llO empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, prestaram depoimentos divergentes em acareação conduzida pela Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025. O procedimento buscou confrontar as versões sobre a origem de carteiras de crédito comercializadas e a real liquidez de operações que envolvem cifras bilionárias.

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Durante o encontro, os investigadores focaram em contradições sobre o conhecimento prévio do BRB a respeito dos créditos da empresa Tirreno. Enquanto Vorcaro sustenta que a instituição financeira estava ciente da natureza dos ativos, Costa afirma que a identificação de um padrão documental diferente só ocorreu meses após o início das negociações.

As informações vieram à tona após o sigilo dos depoimentos de Vorcaro e Costa ser retirado pelo ministro do STF Dias Toffoli nesta quinta-feira (29) em inquérito que investiga as fraudes no Banco Master. A decisão aconteceu após o Banco Central pedir acesso ao depoimento prestado por Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização da autarquia, que também foi ouvido.

Com isso, apenas a acareação entre Vorcaro e Costa foi tornada publica, O resto da investigação segue sob sigilo até nova manifestação da Procuradoria-Geral da República.

A polêmica sobre a origem dos créditos

Questionado pela autoridade policial, Daniel Vorcaro afirmou que informou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros. Segundo o empresário, ele não se recordava do nome "Tirreno" no momento inicial, mas alega ter deixado claro que o modelo de comercialização envolveria créditos que não eram de originação própria do Banco Master.

Por outro lado, Paulo Henrique Costa divergiu frontalmente dessa versão. O ex-presidente do BRB declarou que seu entendimento era de que os créditos pertenciam ao Master e haviam sido apenas recomprados de terceiros antes da revenda. Ele ressaltou que a informação sobre a Tirreno só surgiu entre abril e maio, após questionamentos técnicos da equipe do banco.

Para o ex-gestor do BRB, o banco recebia planilhas com dados de CPF e valores, mas o padrão documental da Tirreno só foi identificado tardiamente. Vorcaro, em contrapartida, avalia que o originador do crédito não é relevante no processo de risco, já que o foco da análise técnica seria o cliente final da ponta da operação.

Substituição de ativos e liquidez sob suspeita

Outro ponto central da acareação diz respeito à liquidação das operações. Vorcaro foi incisivo ao afirmar que 100% da troca de ativos foi negociada. O empresário detalhou que R$ 10,2 bilhões foram substituídos e que cerca de R$ 1,6 bilhão restaram pendentes apenas por questões formais e procedimentais de transferência.

Paulo Henrique Costa confirmou os números, mas pontuou que a precificação de parte desses ativos ainda dependia de validação. Segundo ele, embora créditos consignados e imóveis tivessem valores firmes, cerca de R$ 800 milhões em ações de empresas ainda passavam por avaliação. O ex-BRB mencionou ainda um deságio de aproximadamente R$ 2,1 bilhões aplicado pelo banco público.

Sobre o pagamento de R$ 6 bilhões à Tirreno, Vorcaro admitiu que o Banco Master não desembolsou "nenhum real" em espécie. Ele explicou que os valores ficaram registrados em uma conta reserva remunerada dentro do próprio banco. Para Costa, essa conta não representava liquidez imediata e um saque integral poderia causar uma quebra em sequência das instituições envolvidas.

Defesa protesta contra vazamento de informações

O início da audiência foi marcado por uma forte reclamação de ordem feita pelo advogado Roberto Podval, que defende Daniel Vorcaro. O defensor relatou que perguntas formuladas pelo ministro Dias Toffoli e pela Polícia Federal foram publicadas na imprensa apenas 20 minutos após o encerramento do ato, mesmo sob sigilo absoluto.

Podval classificou o episódio como "lamentável" e afirmou que a defesa se sentiu surpreendida pela rapidez da divulgação. Ele ressaltou que os celulares dos envolvidos não estavam na sala de audiência, o que reforçaria a necessidade de apuração sobre a origem do vazamento. A autoridade policial concordou com a estranheza do fato e afirmou que tais divulgações prejudicam o trabalho das instituições.

Ao final do procedimento, Vorcaro reiterou que o Banco Master honrou todos os seus compromissos e resgates de clientes durante o período de crise de liquidez. O empresário defende que a troca de carteiras foi concluída com diligência e que não houve qualquer prejuízo financeiro ao BRB no desfecho das operações negociadas.

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