Doações enviadas dos Estados Unidos para auxiliar as vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024 foram desviadas e estavam sendo comercializadas em bazares e brechós do estado. Duas pessoas foram presas pelo crime e o Ministério Público (MP) gaúcho investiga o esquema criminoso.
As roupas e produtos de higiene estavam com as embalagens identificadas com os rótulos "SOS RS" e "BRASIL UNIDO PELO RIO GRANDE DO SUL", indicando o destino da ajuda. Segundo o MP, todo o material foi enviado a uma ONG com a finalidade de distribuição às famílias desabrigadas, mas acabou sendo desviado e vendido.
Investigações miram organização criminosa
A investigação do Ministério Público começou há oito meses, após o Consulado-Geral do Brasil em Miami receber uma denúncia e alertar a Defesa Civil do Rio Grande do Sul. Nove pessoas estão entre os principais investigados, sendo três delas da mesma família.
O promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes confirmou o desvio do material: "Esse material todo foi desviado. E foi vendido em várias lojas. Nós temos bastante coisa a recolher hoje, muita gente a ser investigada por lavagem de dinheiro, organização criminosa, e esses desvios e essas apropriações desse material que era destinado a essas pessoas".
O Ministério Público aponta que um dos investigados utilizou parte do dinheiro arrecadado com a venda ilegal das doações para adquirir um apartamento e carros. Os investigados podem responder por lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de desvio e apropriação dos materiais.
Apreensões e bloqueio de contas bancárias
A operação de busca e apreensão ocorreu nesta quinta-feira nas cidades de Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, localizadas na Serra Gaúcha.
Documentos e celulares foram apreendidos durante a ação. Além disso, contas bancárias dos investigados no valor de dois milhões de reais foram bloqueadas pela Justiça.
O promotor Manoel Figueiredo Antunes classificou a situação como "um absurdo". "O que aconteceu é um absurdo, é um descaso com a dor e o sofrimento alheio, e o Ministério Público não pode compactuar com isso", declarou.
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