Cenas de humilhação e violência dentro de escolas têm se tornado rotina e se espalham pelo país, assustando pais e alunos. Em Minas Gerais, um caso de extrema gravidade foi registrado dentro de uma escola municipal de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte: adolescentes tentaram forçar um colega a beber água da privada.
A cena, que foi gravada no banheiro da escola, mostra o adolescente sendo ameaçado por outros alunos, que tentam forçá-lo a ingerir urina do vaso sanitário. No vídeo, é possível ouvir a vítima implorando: "Nunca mais eu mexo com vocês". A prefeitura de Vespasiano informou que tomou providências sobre o caso, mas não detalhou quais.
Casos de agressão e racismo na Grande BH
Em Sarzedo, também na Grande Belo Horizonte, outro incidente de violência foi registrado em uma escola estadual, onde um aluno desmaia durante uma briga generalizada.
A mãe de um aluno, Viviane Costa, relata casos de violência contra o filho, que já foi vítima de racismo e agressão. "Ele foi chamado de macaco, seguido de dois socos no rosto, foi agredido. Os responsáveis da escola ficaram de tomar medidas protetivas, mas até agora nada", disse Viviane. A Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais prometeu medidas de prevenção à violência nas escolas.
No Rio de Janeiro, a violência teve consequências ainda mais graves. Uma criança de 10 anos perdeu a visão de um dos olhos após levar um soco de um estudante de 15 anos. A vítima já era alvo de bullying há cinco anos devido ao glaucoma e a uma diferença na cor dos olhos.
Especialistas pedem sistema protetivo nas escolas
O Levantamento mais recente da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos aponta um crescimento de quase 70% nas denúncias de bullying em instituições de ensino em apenas um ano.
Para especialistas, a abordagem precisa ser multidisciplinar, com a participação de familiares e profissionais da educação, e é essencial para minimizar os impactos da violência nas escolas.
Daniele Avelar, advogada especialista em Educação Inclusiva, destaca a responsabilidade da instituição de ensino na prevenção dos casos. "Quando a instituição escolar não faz esse sistema protetivo, não faz um regimento, um estatuto antibullying, não cria protocolos para poder mediar, interceder, denunciar, acionar os responsáveis legais de ambas as partes, a escola erra por ação e por omissão", explica.
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