
Banco Central
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O Banco Central (BC) mantém a taxa Selic em 15% há cinco meses. Esse é o patamar mais alto da taxa básica de juros desde 2006, e o nível elevado, que freia a economia, é criticado por economistas. A taxa real de juros no Brasil, que é o valor descontado da inflação, está em 9,74%, a segunda maior do mundo.
Apesar de o BC argumentar que a manutenção da Selic é necessária para estabilizar a economia e controlar a inflação, especialistas apontam que muitos indicadores já melhoraram, como a desaceleração dos preços.
Para o economista-chefe da Garantia Capital, André Perfeito, há elementos que sugerem espaço para o início de um afrouxamento monetário, como a queda do desemprego, uma situação fiscal preocupante, mas não grave, e uma dinâmica cambial que tem diminuído muitos preços.
O professor de estratégia Roberto Folgueral questiona a taxa de 15% ao ano diante da inflação atual de 4%. "Está muito grande esse intervalo entre os juros cobrados de 15% e a inflação de 4%. Nós estamos falando de quase duas vezes e meia a inflação. Então, não tem motivo para frear tanto", afirma.
A alta taxa de juros inibe o consumidor, que fica receoso de comprar. Os juros elevados, inclusive, devem atrapalhar as vendas da Black Friday e do Natal, pois o menor acesso ao parcelamento reduz o poder de compra. O economista Maurício Stainoff ressalta que um custo final de produto menor, proporcionado por uma taxa de juro mais barata, permitiria que as famílias tivessem mais dinheiro no bolso para outras necessidades.
Juros simples e compostos e o endividamento
Um dos grandes desafios para os consumidores é entender como funcionam os cálculos dos juros ao realizar uma compra a prazo ou um empréstimo. A autônoma Sulie Murakami Barro, por exemplo, contratou um empréstimo de R$ 3 mil em dezembro de 2023 por aplicativo, com 12 parcelas de R$ 456. O valor total dos juros e taxas, somado, chegava a quase R$ 2.50013. Após pagar apenas três parcelas, ela não conseguiu mais honrar o compromisso, e a dívida se transformou em R$ 36 mil.
A principal razão para a dívida ter crescido exponencialmente é a confusão e o desconhecimento da diferença entre juros simples e juros compostos. Sulie relata que o processo é rápido no aplicativo, mas o contrato é "gigante", e os leigos acabam assinando sem entender completamente.
O professor Roberto Folgueral explica que, enquanto os juros simples seguem um crescimento linear, os juros compostos crescem exponencialmente. No regime de juros compostos, é aplicado o conceito de "juros sobre juros".
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