
Exército reforça segurança na fronteira com a Venezuela
Jean Oliveira/Arquivo pessoal
O Exército brasileiro intensifica a segurança e o monitoramento na fronteira com a Venezuela nesta segunda-feira. A medida ocorre após ataques dos Estados Unidos no país vizinho, que resultaram na prisão de Nicolás Maduro. Em Pacaraima, no extremo norte de Roraima, o posto de triagem da Operação Acolhida e o controle migratório da Polícia Federal retomaram as atividades por volta das 6h da manhã para receber refugiados.
A vigilância conta com o posicionamento de blindados e o patrulhamento de viaturas da Força Nacional de Segurança Pública. O objetivo das Forças Armadas é controlar o fluxo migratório e prevenir a entrada de pessoas em situação irregular, além de monitorar a possibilidade de uma fuga em massa de venezuelanos em direção ao território brasileiro.
Monitoramento e fluxo migratório
Apesar do aparato militar, o Exército classifica o movimento na linha de fronteira como dentro da normalidade. O general Roberto Pereira Angrizani, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, afirma que o fluxo de imigrantes vindo da Venezuela para o Brasil se mantém estável, mesmo após os acontecimentos políticos e militares registrados em território venezuelano no dia 3 de janeiro.
Atualmente, o efetivo mobilizado na região é de 129 militares. Segundo o comando da operação, não há, até o momento, necessidade de aumentar o contingente. A cidade de Pacaraima, localizada a cerca de 190 quilômetros da capital Boa Vista, permanece como o principal portão de entrada para os cidadãos que deixam o país vizinho.
Muitos venezuelanos atravessam a fronteira a pé, carregando malas e poucos pertences. Relatos de imigrantes que chegam ao posto de triagem indicam um cenário de incerteza e esperança. Oscar Arioja, que ingressou no Brasil nesta segunda-feira, define a mudança como uma busca por "uma vida melhor" e enxerga a intervenção externa como uma forma de trazer esperança ao país, que vive sob regime ditatorial há 25 anos.
Outros relatos colhidos na região de fronteira expõem o medo que ainda persiste entre a população. A venezuelana Angelica, de 25 anos, descreve o impacto da crise política como um "buraco muito grande" deixado na nação e admite temer represálias, ressaltando que o processo de transição ainda não foi concluído.
Desde 2015, o Brasil já recebeu mais de 1 milhão de venezuelanos. O governo brasileiro mantém a estrutura da Operação Acolhida para oferecer assistência humanitária, documentação e interiorização para os imigrantes que chegam ao país fugindo da crise econômica e política na Venezuela.
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