Uma nova ferramenta de segurança digital começou a ser utilizada para rastrear e derrubar vídeos manipulados por inteligência artificial, conhecidos como deepfakes, no YouTube. A medida ganha relevância diante do avanço da tecnologia e da proximidade do período eleitoral, momento em que a proliferação de conteúdos falsos com vozes e rostos adulterados representa ameaça à integridade do pleito.
Apenas no primeiro trimestre deste ano, a plataforma removeu mais de 1,2 milhão de vídeos no Brasil por violações de diretrizes, incluindo desinformação, assédio e incitação à violência. Com a nova funcionalidade, os jornalistas do Grupo Bandeirantes já passam a ser cadastrados no sistema para proteger sua imagem e evitar que suas figuras públicas sejam usadas de forma fraudulenta para enganar o leitor ou o eleitor.
Para a jornalista Adriana Araújo, o uso indevido de imagem atinge o ponto mais sensível da profissão.
A credibilidade é a matéria-prima do nosso trabalho de todo dia, o nosso maior bem. E, justamente por isso, muitas vezes a imagem de um jornalista pode ser usada para deturpar e se aproveitar dessa credibilidade para tentar passar uma mensagem ao eleitor que é completamente falsa, afirma.
O recurso de proteção está disponível diretamente no painel do YouTube Studio e pode ser utilizado por usuários cadastrados. Na aba de detecção de conteúdo, a plataforma exige o envio de documentos e fotos pessoais para a criação de uma referência digital oficial.
A partir desse cadastro, o algoritmo do sistema compara a imagem verificada do usuário com todos os vídeos postados na rede em tempo real. Caso seja identificada alguma semelhança visual ou sonora não autorizada, o titular da imagem é notificado e pode optar por manter a publicação ou solicitar a remoção imediata do ar.
A parceria no combate à desinformação fortalece a transparência do processo democrático. Para Rodolfo Schneider, diretor geral de jornalismo e esporte do Grupo Bandeirantes, iniciativas que unem tecnologia e jornalismo profissional são fundamentais.
Qualquer iniciativa de plataforma, ainda mais com o Google, que sempre foi nosso parceiro, que venha a ajudar a contribuir para a democracia e para uma aliança com a notícia verdadeira e com os fatos, a gente sempre vai trabalhar junto e abraçar, porque sabemos que isso é em prol da democracia brasileira, avalia.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formalizou um pedido à plataforma para expandir o alcance da ferramenta durante as eleições. O objetivo do órgão é incluir o maior número possível de concorrentes no sistema de proteção, garantindo atenção especial às candidaturas femininas, apontadas como as principais vítimas de ataques com manipulações de inteligência artificial.
Eduardo Brandini, head de parcerias do YouTube, explica que o trabalho abrange tanto os veículos de imprensa quanto os postulantes a cargos públicos. "Tanto com o ecossistema de jornalismo quanto com os candidatos, principalmente os principais candidatos à Presidência, a gente está trabalhando para que essa detecção por semelhança consiga proteger não só o período eleitoral, mas que os usuários tenham certeza de que não sejam atingidos por conteúdos manipulados", ressalta.
A diretora de jornalismo Andressa Guaraná destaca que a iniciativa previne que a credibilidade das empresas de comunicação seja explorada por estelionatários digitais.
A gente sabe que a inteligência artificial pode ser usada para o bem e para o mal. A gente tem essa consciência, mas não tem esse controle. Agora a gente garante que não seja um canal de desinformação, para que não usem a nossa imagem e a nossa credibilidade para levar uma informação com algum interesse por trás disso, conclui.
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