Jornal da Band

Governo acelera pautas populares para frear anistia no Congresso

Enquanto oposição pressiona por votação que pode beneficiar Bolsonaro, Planalto mobiliza base para aprovar isenção do Imposto de Renda a quem ganha até R$ 5 mil.

TÚLIO AMÂNCIO

08/09/2025 • 20:20 • Atualizado em 08/09/2025 • 20:20

O governo federal articula uma estratégia para acelerar a votação de projetos de apelo popular no Congresso Nacional. A principal meta é criar uma agenda positiva que ofusque a discussão em torno da proposta de anistia, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros investigados por atos antidemocráticos. A oposição, por sua vez, pressiona para que o requerimento de urgência da anistia seja pautado já na próxima semana.

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Nesta segunda-feira, ministros de partidos do Centrão e líderes do governo foram convocados a uma reunião no Palácio do Planalto. O encontro serviu como um alerta para a necessidade de mobilizar as bancadas aliadas contra o avanço da proposta de anistia.

O governo age para evitar que o tema chegue ao plenário e, caso chegue, trabalha para ter os votos necessários para derrubá-lo. A conta, no entanto, é considerada difícil de fechar. Para ser aprovada, a anistia necessita de maioria simples, e a oposição afirma já contar com mais de 300 votos favoráveis na Câmara dos Deputados.

Governo foca em pautas econômicas

Para contrapor a articulação da oposição, o governo aposta em pautas de grande interesse da população. A ministra da Articulação Política, Gleisi Hoffmann, afirma que os ministros do Centrão concordaram em concentrar esforços em projetos prioritários para o Executivo, com destaque para a proposta que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil.

A medida é vista como uma prioridade para o país, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou que existe um "compromisso da Câmara" em votar a matéria. O objetivo do governo é aprovar a isenção antes do final do ano, gerando um fato político positivo e ocupando a pauta do Legislativo.

Apesar de se alinhar ao governo na pauta econômica, Motta também tem negociado com a oposição. Ele solicitou ajustes no texto da anistia, que foi apresentado na semana passada. A proposta atual prevê o perdão a investigados a partir de 2019 e, crucialmente, tornaria o ex-presidente Bolsonaro novamente elegível para as eleições do próximo ano.

O vice-líder do governo na Câmara, Alencar Santana (PT-SP), critica duramente a proposta. "A anistia é para aqueles que tentaram o golpe, que atentaram contra o Brasil e ainda continuam atentando. O Brasil urge muito mais coisas que são necessárias à vida do nosso povo", defende o parlamentar.

Do lado da oposição, o discurso é de pacificação. O deputado Capitão Alberto (PL-AM) argumenta que o processo e as prisões foram ilegais. "Ficou muito claro para o povo brasileiro que esse processo, as prisões arbitrárias que aconteceram a mando do ministro Alexandre Moraes foram prisões ilegais, imorais. Isso precisa ser corrigido. E a anistia é a virada de chave para a pacificação do nosso país", declara.

A oposição pressiona para que a votação do regime de urgência para o projeto de anistia ocorra na Câmara na próxima semana, logo após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está pautado na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).