Jornal da Band

Hamas fora do governo basta? Gaza segue sob bombas e 60% ocupada por Israel

Especialistas avaliam atitude do grupo terrorista como apenas simbólica

Da redação
DA REDAÇÃO

07/07/2026 • 21:32 • Atualizado em 07/07/2026 • 21:32

Embora a dissolução do governo do Hamas em Gaza tenha sido apresentada como um passo para uma nova administração, os desdobramentos práticos revelam um cenário de estagnação política e agravamento da crise humanitária. A transferência do controlo para um comité de técnicos independentes, apesar de apoiada pelos Estados Unidos, enfrenta obstáculos fundamentais que impedem a pacificação da região.

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Uma das principais consequências esperadas com a saída do Hamas da administração civil é a viabilização de investimentos internacionais e o início da reconstrução de um território onde 80% da infraestrutura está destruída. No entanto, esta possibilidade permanece bloqueada por Israel, que exige não apenas a mudança administrativa, mas a entrega total de armas pelo grupo e a renúncia a qualquer influência no enclave.

Especialistas alertam que a mudança governamental pode ter um carácter meramente simbólico. Como os funcionários da burocracia palestina permanecem os mesmos e o braço armado do Hamas não sinaliza a intenção de depor as armas, o confronto direto com Israel tende a persistir, esvaziando a eficácia da transição política.

Controlo territorial e barreiras humanitárias

No terreno, a consequência mais imediata é a consolidação do controlo militar israelita, que atualmente detém 60% do território de Gaza. Analistas indicam que esta presença permanente poderá resultar em:

  • Interrupção de recursos humanitários: Aumento das dificuldades no acesso a ajuda essencial;
  • Impedimento da reconstrução: A interferência militar direta pode travar os projetos financiados pela comunidade internacional;
  • Perpetuação da violência: Israel não sinaliza a retirada de tropas, o que mantém o ciclo de operações militares em áreas densamente povoadas.

Continuidade dos bombardeios

A prova de que a reestruturação política não alterou a dinâmica de guerra foi o registo de novos ataques logo após o anúncio da dissolução. Em Khan Yunis, bombardeios resultaram na morte de civis, incluindo crianças, demonstrando que a estratégia militar de Israel continua focada na eliminação de militantes, independentemente das mudanças na governação civil de Gaza.