Jornal da Band

Lula e Trump discutem cooperação para combater o crime organizado

Presidentes superam tensões e discutem compartilhamento de investigações sobre fraude fiscal, citando o estado americano de Delaware

Da redação
DA REDAÇÃO

03/12/2025 • 20:00 • Atualizado em 03/12/2025 • 20:00

Lula e Trump

Lula e Trump

Ricardo Stuckert / PR

O diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump evolui para uma fase de cooperação no combate ao crime organizado, com foco especial em fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Após um período de atrito que resultou em tarifas sobre produtos brasileiros, as primeiras conversas concretas ajudam a derrubar parte das barreiras comerciais e abrem caminho para uma aliança no campo da segurança e das finanças internacionais.

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A pauta de cooperação surgiu em uma conversa telefônica entre os dois líderes, na qual Lula levantou o uso do estado americano de Delaware por criminosos brasileiros. Lula afirmou que o estado tem sido utilizado para a lavagem de dinheiro e a ocultação de lucros resultantes de sonegação fiscal no Brasil.

O ponto principal da discussão foi o caso do Grupo Refit, alvo de uma investigação da Receita Federal brasileira. Segundo a apuração, o grupo teria movimentado mais de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 72 bilhões) em apenas um ano, utilizando contas offshore abertas em Delaware para ocultar os lucros de um esquema fraudulento.

Delaware: o paraíso fiscal nos EUA

Delaware, apesar de ser o segundo menor estado americano em território, é a sede legal de mais de 1,5 milhão de empresas de todo o mundo. Essa concentração se deve a uma legislação local que oferece incentivos fiscais significativos, praticamente isentando as companhias de pagar impostos. Além disso, o estado permite a criação de empresas de forma anônima, sem que os nomes dos investidores sejam revelados.

Segundo o repórter Eduardo Barão, de Washington, a ausência de regulação transformou Delaware em um paraíso fiscal, o que permitiu que criminosos operassem na região. Barão citou o caso do traficante de armas russo Viktor Bout, conhecido como o "Mercador da Morte", como um dos exemplos mais conhecidos de indivíduos que utilizaram a estrutura de Delaware.

A conversa entre os presidentes parece ter gerado frutos imediatos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que o governo Trump solicitou o compartilhamento das investigações sobre fraude fiscal realizadas no Brasil.

Em declaração, Haddad afirmou que já recebeu a notícia da Embaixada dos Estados Unidos, que manifestou o interesse em acessar os documentos brasileiros. "Já recebi notícia da Embaixada dos Estados Unidos, querendo acesso aos documentos que estão sendo traduzidos para o inglês, para que essa ação seja efetivada", disse o ministro.

A iniciativa marca uma mudança de tom na relação bilateral, priorizando a ação conjunta contra o crime transnacional. Os desdobramentos da cooperação incluem o acesso aos documentos da Receita Federal brasileira e a efetivação de ações por parte do governo americano contra o uso indevido de sua legislação.