
Lula e Trump
Ricardo Stuckert / PR
O diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump evolui para uma fase de cooperação no combate ao crime organizado, com foco especial em fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Após um período de atrito que resultou em tarifas sobre produtos brasileiros, as primeiras conversas concretas ajudam a derrubar parte das barreiras comerciais e abrem caminho para uma aliança no campo da segurança e das finanças internacionais.
A pauta de cooperação surgiu em uma conversa telefônica entre os dois líderes, na qual Lula levantou o uso do estado americano de Delaware por criminosos brasileiros. Lula afirmou que o estado tem sido utilizado para a lavagem de dinheiro e a ocultação de lucros resultantes de sonegação fiscal no Brasil.
O ponto principal da discussão foi o caso do Grupo Refit, alvo de uma investigação da Receita Federal brasileira. Segundo a apuração, o grupo teria movimentado mais de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 72 bilhões) em apenas um ano, utilizando contas offshore abertas em Delaware para ocultar os lucros de um esquema fraudulento.
Delaware: o paraíso fiscal nos EUA
Delaware, apesar de ser o segundo menor estado americano em território, é a sede legal de mais de 1,5 milhão de empresas de todo o mundo. Essa concentração se deve a uma legislação local que oferece incentivos fiscais significativos, praticamente isentando as companhias de pagar impostos. Além disso, o estado permite a criação de empresas de forma anônima, sem que os nomes dos investidores sejam revelados.
Segundo o repórter Eduardo Barão, de Washington, a ausência de regulação transformou Delaware em um paraíso fiscal, o que permitiu que criminosos operassem na região. Barão citou o caso do traficante de armas russo Viktor Bout, conhecido como o "Mercador da Morte", como um dos exemplos mais conhecidos de indivíduos que utilizaram a estrutura de Delaware.
A conversa entre os presidentes parece ter gerado frutos imediatos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que o governo Trump solicitou o compartilhamento das investigações sobre fraude fiscal realizadas no Brasil.
Em declaração, Haddad afirmou que já recebeu a notícia da Embaixada dos Estados Unidos, que manifestou o interesse em acessar os documentos brasileiros. "Já recebi notícia da Embaixada dos Estados Unidos, querendo acesso aos documentos que estão sendo traduzidos para o inglês, para que essa ação seja efetivada", disse o ministro.
A iniciativa marca uma mudança de tom na relação bilateral, priorizando a ação conjunta contra o crime transnacional. Os desdobramentos da cooperação incluem o acesso aos documentos da Receita Federal brasileira e a efetivação de ações por parte do governo americano contra o uso indevido de sua legislação.
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