Jornal da Band

Nordeste, segurança e INSS: os motivos que levaram Gaspar à vice de Flávio

Escolha do parlamentar para chapa puro-sangue busca jogar as investigações contra o filho do presidente Lula para o centro da campanha

CAIÃ MESSINA

05/08/2026 • 20:48 • Atualizado em 05/08/2026 • 20:48

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como o vice de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência surpreendeu o mundo político nesta quarta-feira (5). O parlamentar, de 56 anos e em primeiro mandato como deputado, prometeu "lealdade e gratidão" e "a coragem de enfrentarmos juntos a corrupção e o crime organizado".

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Foram três os motivos principais para a escolha do nome: Gaspar é nordestino, ligado à segurança pública e foi relator da CPMI do INSS. A intenção é levar o tema, e principalmente as investigações envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao centro da disputa eleitoral.

"É uma pessoa que eu aprendi a admirar. Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório e alguém que representa o Nordeste", afirmou Flávio.

A decisão por uma chapa puro-sangue veio depois de o Centrão fechar as portas para Flávio. A intenção era ter uma vice mulher, pelo peso do eleitorado feminino, mas o PP, da senadora Tereza Cristina (MS), o Republicanos de Daniella Marques e o Podemos, da deputada Renata Abreu (SP) preferiram a neutralidade na disputa.

A vereadora de Fortaleza, Priscilla Costa (PL), chegou a ser sondada, mas venceu a avaliação de que ela seria "mais próxima de Michelle Bolsonaro que do próprio candidato".

A escolha de Gaspar também definição também pacifica a direita em Alagoas: fora da briga pelo Senado, o PL vai apoiar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, do PP.

A escolha de Flávio define, enfim, as principais chapas a dez dias do prazo final de registro na Justiça Eleitoral. Lula reeditou a aliança de 2022 e fechou com Geraldo Alckmin (PSB) para a vice.

Os demais vão com nomes dos próprios partidos: Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL; Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, do PSD; Renan Santos e Aroldo Medina, do Missão; e Romeu Zema e Eduardo Girão, do Novo.

Turbulência no Planalto

No QG eleitoral de Lula, porém, o dia foi de turbulência. O ex-chefe de gabinete do presidente não resistiu à pressão e pediu para sair da coordenação da campanha.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Marcola afirmou em nota que se tratou de empréstimo privado, já quitado. O caso causou constrangimento na campanha petista pela proximidade entre Lula e o assessor, que decidiu sair diante do risco de desgaste ainda maior. Em entrevista a um podcast, o candidato do PT não comentou o tema.

Na mesma conversa, Lula disse que esta será a última eleição de sua vida. "Eu vou viver 120 anos, mas essa vai ser a minha última eleição. Eu quero entregar o Brasil soberanamente grande, bem formado, e um país competitivo com qualquer país do mundo", declarou.

Ronaldo Caiado participou em Goiânia da convenção que lançou Daniel Vilela (MDB) como candidato à reeleição ao governo de Goiás. Já Renan Santos e Romeu Zema não tiveram agendas públicas nesta quarta.