
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (5) em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos que a eleição presidencial de outubro, na qual concorrerá à reeleição, será o último pleito da vida dele.
Em tom de brincadeira, o presidente disse que deseja ir pescar após o término de um eventual quarto mandato. "Eu vou viver 120 anos, mas essa vai ser a minha última eleição. Eu quero ir pescar, e eu sou um bom pescador", declarou.
Durante a entrevista, Lula também falou sobre projetos do Executivo para combater a desinformação nas redes sociais. "Precisamos ser mais duros no controle da perversidade de alguns humanos nas redes digitais", declarou.
"A gente precisa transformar em crime o cara que utiliza a internet para contar mentira sobre doenças, para dar desinformação, para mandar um cara tomar remédio que não pode tomar. Tudo isso tem que ser crime, isso não é liberdade de expressão, isso é canalhice e irresponsabilidade. Com doença, a gente não brinca", declarou o presidente.
Crise diplomática com os EUA
O petista também disse que o Brasil está "preparado" para enfrentar tentativas de interferência estrangeira na eleição presidencial. A fala do presidente ocorre um dia após o governo declarar institucionalmente que os Estados Unidos estão tentando fazer ingerências no processo eleitoral.
"O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa, de fora, que queira interferir no nosso processo eleitoral", disse Lula.
Ao falar sobre a nova crise com os Estados Unidos, deflagrada com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, o presidente chamou a medida da Casa Branca de "irresponsável e impensada". Ele refutou o argumento de reciprocidade dos americanos, ao dizer que eles não se importaram com a embaixada em Brasília desde que o presidente americano, Donald Trump, assumiu o poder.
"Os Estados Unidos não deram importância para a embaixada no Brasil, porque faz um ano e meio que ele está no poder e não mandou para cá. Agora, tentam mandar e acham que a gente tem a obrigação de fazer na data que eles querem? Não é correto e não é possível, nós queremos ser tratados com respeito", disse Lula.
Os EUA indicaram o deputado Daniel Perez para chefiar a diplomacia no Brasil, e dizem que o Planalto cria obstáculos para conceder a autorização para que ele exerça a função. Lula justificou a demora afirmando que não deseja receber novos embaixadores em Brasília até o término das eleições.
Sobre a revogação de visto dos funcionários do Departamento de Estado Riley Barnes e Samuel Samson, Lula disse que soube da notícia de que eles estavam querendo se "intrometer" no processo eleitoral e elogiou a medida do Itamaraty.
"Fiquei sabendo da notícia que vinham dois jovens para cá, para se intrometer, fiscalizar e investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty, corretamente, negou o visto para eles", declarou.
O presidente também relembrou o contato que teve com Trump, afirmando que os contatos foram amistosos, mas que o presidente americano não liberou o visto de autoridades brasileiras sancionadas.
Sobre a possibilidade de interferência americana nas eleições, Lula disse que seria bom se o secretário de Estado, Marco Rubio, fizesse comício para o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
"Se o Secretário de Estado quiser vir aqui fazer comício para o meu adversário, pode ser até bom. Eu quero, de uma vez só, derrotar todos eles juntos", disse Lula.
Lula também ironizou o sistema eleitoral americano e disse que o Brasil poderia levar conhecimento na área para os Estados Unidos. "Ao invés de questionar nossa urna, eles deveriam pedir para a gente levar as urnas para eles fazerem uma eleição eletrônica para saberem que estamos no auge da modernidade eleitoral", declarou.
Com Estadão Conteúdo
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