Nove advogados foram presos nesta sexta-feira (3) sob suspeita de atuar como mensageiros de chefes de facções criminosas na Bahia, repassando ordens e decisões entre líderes presos e integrantes em liberdade.
As prisões fazem parte da Operação Sintonia de Gravata, que ao todo levou 21 pessoas à cadeia e mobilizou mais de cem policiais em Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Barreiras e Serrinha.
Segundo a investigação, os profissionais formavam uma rede que usava a prerrogativa da advocacia para manter a comunicação das organizações criminosas em funcionamento. Eles teriam transmitido mensagens e ordens dos chefes das facções, mantendo o comando das atividades ativo mesmo com as lideranças atrás das grades. A apuração aponta o envolvimento de integrantes das três facções com ramificações no estado.
As investigações começaram após a fuga do presídio de Eunápolis, em dezembro de 2024, e o ataque ao diretor da unidade prisional, em maio do ano passado. A partir desses episódios, a Polícia Civil identificou a participação de advogados na interlocução entre presos e faccionados que estavam em liberdade, o que levou ao aprofundamento da apuração ao longo de onze meses.
A Justiça determinou o bloqueio de bens, veículos e contas dos investigados, em um valor que chega a R$ 10 milhões. A ação foi tratada pelas autoridades como uma das mais complexas do tipo no estado, tanto pelo tempo de investigação quanto pelo número de alvos e pela sofisticação do esquema de comunicação identificado.
A OAB Bahia informou que acompanhou o cumprimento dos mandados envolvendo os advogados e que vai pedir acesso ao inquérito para analisar o caso. A relação entre a advocacia e o crime organizado tem rendido situações delicadas para a Ordem, que enfrenta críticas pela demora em punir profissionais já condenados.
O Jornal da Band já mostrou que mostrou que advogados condenados por corrupção e organização criminosa seguem com registros ativos na entidade, inclusive um caso ligado ao suporte jurídico ao PCC.
O caso baiano se soma a outras ações recentes contra o mesmo tipo de esquema no país. Em novembro do ano passado, a Polícia Federal prendeu quatro advogados em Manaus acusados de transmitir ordens de chefes de facção de dentro dos presídios, em operação de estrutura semelhante à realizada na Bahia.
A atuação de profissionais do Direito como elo entre presos e membros em liberdade tem sido um dos focos das forças de segurança no combate ao crime organizado.
A pressão sobre essas estruturas tem relação direta com o cenário do estado. A Bahia é hoje a unidade da federação com o maior número de facções em atuação no país, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e o avanço de grupos como o Comando Vermelho pelo território baiano tem acirrado disputas por pontos de tráfico e elevado os índices de violência.
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