
Mercosul e União Europeia
União Europeia/Mercosul/Agência Brasil
Produtores rurais europeus voltaram às ruas para protestar contra o acordo de livre-comércio firmado entre a União Europeia e o Mercosul. Na Espanha, agricultores tomaram as ruas de Barcelona com seus tratores, bloqueando o trânsito e concentrando-se em frente ao Departamento de Agricultura do governo regional. O principal temor da categoria é a concorrência com os produtos vindos da América do Sul, que poderiam chegar ao mercado europeu com preços reduzidos.
Desde as primeiras horas da manhã, comboios lentos partiram de diferentes pontos da Catalunha. Os produtores reivindicam melhorias nas condições de trabalho e defendem a preservação das comunidades rurais. Segundo os manifestantes, o tratado internacional pode abrir espaço para uma competição desigual, ameaçando diretamente a sustentabilidade da produção local.
Manifestações em Madri e o cenário em 2026
Em Madri, o movimento reuniu cerca de 1.500 agricultores e mais de 300 tratores. O protesto passou em frente ao Consulado do Brasil, levando uma mensagem direta de rejeição ao bloco sul-americano. O acordo em questão foi assinado recentemente, em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, encerrando um ciclo de mais de 25 anos de negociações.
Atualmente, o texto aguarda ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais dos 27 países que integram a União Europeia. Na prática, a implementação deste acordo criará a maior zona de livre-comércio do mundo em número de países — abrangendo 32 nações — e alcançará um mercado consumidor de aproximadamente 720 milhões de pessoas.
Divergências no bloco europeu
Apesar das manifestações, o governo da Espanha mantém o apoio ao acordo, vislumbrando oportunidades significativas de expansão comercial para suas empresas. No entanto, o consenso dentro do bloco europeu está longe de ser atingido.
Enquanto a Espanha defende a abertura comercial, a França lidera a oposição ao tratado, alinhando-se às preocupações dos agricultores franceses que, assim como os espanhóis, temem os impactos da entrada de produtos do Mercosul no mercado comum europeu. O impasse deve marcar os debates nas instâncias legislativas da Europa ao longo dos próximos meses.
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