Jornal da Band

'Qual imagem passamos?': candidatos reagem à fala de Flávio sobre urnas

Pré-candidatos questionam postura do senador do PL sobre a lisura do sistema eleitoral; PT acusa parlamentar de desinformação após citação a empresa venezuelana negada pela Justiça Eleitoral

PEDRO TEIXEIRA

22/07/2026 • 20:11 • Atualizado em 22/07/2026 • 20:15

As recentes declarações do senador e pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, sobre o sistema eleitoral brasileiro provocaram reações imediatas entre seus adversários na corrida pelo Palácio do Planalto. O assunto mobilizou a agenda dos pré-candidatos e resultou em uma representação na Justiça Eleitoral. Diante do episódio, o PT protocolou uma ação no TSE contra o pré-candidato do PL, acusando-o de promover desinformação sobre o processo eleitoral.

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O questionamento ocorreu após Flávio Bolsonaro ter se reunido com 42 representantes diplomáticos em Brasília. Durante o encontro, o senador afirmou que o Brasil utilizaria urnas eletrônicas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic. Flávio mencionou um suposto relatório da CIA (Agência de Inteligência dos Estados Unidos) apontando irregularidades em eleições na Venezuela em 2012 e alegou que equipamentos usados no Brasil teriam a mesma origem.

Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou o posicionamento oficial emitido em 2020 e 2022, esclarecendo que a Smartmatic nunca forneceu equipamentos ao país. O tribunal enfatizou que todo o projeto, concepção e gestão da urna eletrônica e do sistema de votação são desenvolvidos e mantidos integralmente pela Justiça Eleitoral brasileira.

Adversários criticam postura de senador a diplomatas

As declarações repercutiram negativamente entre outros concorrentes ao Planalto, que questionaram o uso do espaço com representantes internacionais para levantar suspeitas sobre o pleito:

Ronaldo Caiado (PSD) criticou o foco dado ao tema, avaliando que a reunião com os diplomatas deveria ter sido aproveitada para buscar parcerias e atrair investimentos para o país, em vez de focar no debate sobre as urnas.

Em agenda pelo Mato Grosso, Renan Santos (Missão) questionou o impacto internacional da fala e pediu que Flávio Bolsonaro retire sua candidatura. "Qual a imagem que a gente passa pro mundo? Um candidato que ainda está em segundo colocado nas pesquisas falando que a eleição não funciona".

A equipe de pré-campanha de Flávio Bolsonaro rebateu as críticas afirmando que o parlamentar não questionou a confiança nas urnas, mas apenas citou fatos públicos e defendeu o acompanhamento por missões internacionais de observação.

Mudanças na campanha do PT

O dia também registrou movimentações em outras frentes da corrida presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu ajustes na coordenação de sua pré-campanha à reeleição. Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e Thiago César dos Santos deixaram seus cargos no Palácio do Planalto para se dedicar integralmente às estratégias de campanha.

Agendas de Zema e suspeitas

Em São Paulo, Romeu Zema (Novo) cumpriu agenda em encontro com empresários. Paralelamente, Flávio Bolsonaro negou irregularidades após reportagem do portal Metrópoles revelar a emissão de nota fiscal por seu escritório de advocacia a uma empresa ligada a investigados no caso do Banco Master. O senador confirmou a prestação do serviço jurídico, mas negou vínculo com esquemas ilícitos.