Jornal da Band

Saída de Toffoli do caso Master gera crise e suspeitas de gravação no STF

Reunião fechada é descrita como tensa após vazamento de diálogos; André Mendonça assume o caso sob expectativa de alinhamento com a Polícia Federal

CAIÃ MESSINA

13/02/2026 • 20:45 • Atualizado em 13/02/2026 • 20:45

A cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF) vive um período de forte instabilidade interna após a reunião a portas fechadas que selou o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do inquérito que envolve o Banco Master.

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O encontro, definido por magistrados da Corte como "tenso e confuso", foi marcado por um mal-estar generalizado devido ao vazamento de diálogos íntegros para um portal de notícias, levantando a suspeita entre os pares de que a sessão teria sido gravada clandestinamente.

Toffoli chegou à reunião determinado a manter-se no caso. Durante sua fala, ele teceu críticas severas à atuação da Polícia Federal (PF) e sugeriu a possibilidade de ter sido investigado ilegalmente pela corporação, sem a devida autorização do Supremo. Embora a maioria dos colegas tenha concordado inicialmente com sua permanência, o cenário mudou quando ministros alertaram que a imagem da Corte poderia ser abalada, temendo que uma futura suspeição de Toffoli levasse à anulação de todas as provas coletadas.

Suspeitas de gravação e desgaste interno

O clima de desconfiança aumentou após o portal Poder 360 publicar falas literais dos magistrados. Conforme apurado pela colunista Mônica Bergamo, da Rádio BandNews FM, alguns ministros levantaram a hipótese de que o próprio Dias Toffoli teria gravado o encontro, uma vez que o conteúdo divulgado era favorável a ele, destacando elogios de colegas e críticas à PF. Em resposta à colunista, Toffoli negou veementemente a acusação, classificando-a como "absolutamente inverídica".

Para pacificar o tribunal, foi costurada uma alternativa negociada: Toffoli aceitou abrir mão da relatoria após a divulgação de uma nota assinada por todos os ministros afirmando que não viam motivos para sua suspeição.

A manobra, entretanto, causou estranheza na comunidade jurídica. Para o jurista Melilo do Nascimento, o princípio da inamovibilidade do juiz garante que ele não seja removido de processos sob sua responsabilidade, a menos que o próprio magistrado alegue razões de foro íntimo.

O relatório da PF e o futuro com André Mendonça

O desgaste de Toffoli tornou-se insustentável após um relatório de 200 páginas entregue pela Polícia Federal ao presidente do STF. No documento, o nome do ministro aparece em citações feitas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo a PF, Vorcaro combinava com seu cunhado, Fabiano Zéttel, pagamentos a uma empresa da qual Toffoli é sócio. O ministro nega ter recebido qualquer valor dos envolvidos.

Agora, as atenções em Brasília se voltam para o novo relator, André Mendonça. A avaliação interna no STF é que Mendonça será um aliado da Polícia Federal na investigação da fraude bancária. Diferente do perfil anterior, a expectativa é que ele endosse os passos pedidos pela PF e atue com discrição, manifestando-se apenas nos autos.

Mendonça deve analisar o fatiamento do inquérito, mantendo no Supremo apenas os nomes com foro privilegiado — que incluem dezenas de parlamentares citados — e enviando para a primeira instância as suspeitas de crimes financeiros puramente privados. Enquanto isso, a CPMI que investiga o escândalo no INSS já solicitou acesso aos dados sigilosos do caso.

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