Uma investigação revelou um plano arquitetado por um dos principais traficantes com conexão com o PCC para atentar contra a família de um empresário de Brasília. Willian Barile Agati, apelidado de "concierge do PCC" por sua capacidade de "fazer tudo" para a organização criminosa, foi flagrado em áudios detalhando as ameaças.
As conversas, obtidas com exclusividade pelo Jornal da Band, ocorreram entre Agati e outro traficante, João Carlos Camisa Nova Júnior, conhecido como "Don Corleone". Nos áudios, Agati menciona um conflito com o empresário e ordena que o recado seja entregue de forma brutal: "só pra chegar nele e falar que 'nós' vai matar a família inteira dele".
A motivação para as ameaças seria uma disputa por uma fazenda que Agati alegava ser de sua propriedade. Em tom frio, o criminoso ainda especifica o plano, mirando a filha da vítima:
"'Nóis' vai pegar a filha dele mesmo! A menina ‘tá vindo” estudar aqui em São Paulo medicina".
O plano de Agati foi descoberto durante uma investigação que desmantelou um megaesquema de tráfico internacional de drogas. A quadrilha, que tinha alianças com a máfia italiana 'Ndrangheta, utilizava o Porto de Paranaguá, no Paraná, como principal rota para enviar toneladas de cocaína para a Europa. A organização criminosa movimentou cerca de R$ 2 bilhões em aproximadamente quatro anos.
Willian Agati é apontado como o líder de uma vasta rede criminosa com atuação nos EUA, Europa, Emirados Árabes e Moçambique. Ele se apresentava como um empresário de sucesso, mas, segundo a Polícia Federal, seus negócios eram apenas uma fachada para a lavagem de dinheiro do tráfico.
Seu cúmplice nas conversas, João Carlos Camisa Nova Júnior, o "Don Corleone", também era uma peça importante no esquema, sendo dono de uma empresa de exportação de produtos agrícolas usada para ocultar a droga.
Felizmente, as ameaças contra a família do empresário não foram concretizadas. A ação policial conseguiu desarticular a quadrilha, resultando na prisão dos envolvidos.
Willian Barile Agati, que se entregou à polícia em janeiro de 2025, está detido na Penitenciária Federal de Brasília. João Carlos Camisa Nova Júnior cumpre pena em um presídio de São Paulo.
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