O governo brasileiro acelera as negociações comerciais com os Estados Unidos e planeja enviar três ministros de primeiro escalão a Washington já na próxima semana. O objetivo principal da viagem é avançar no diálogo para conseguir uma trégua no tarifaço que afeta produtos brasileiros.
Devem embarcar para os Estados Unidos o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A iniciativa busca aproveitar o bom momento nas relações bilaterais após meses de tensões comerciais para obter resultados práticos.
O governo federal sugeriu aos americanos uma trégua na elevação das tarifas, propondo a redução do percentual de 50% para 10% durante o período de negociações.
Geraldo Alckmin ressalta que o avanço político já foi dado e agora o foco está nas questões técnicas. “Agora é avançar nas questões técnicas. Mas o mais importante foi feito, que foi o passo político e feito com brilho”, afirma Alckmin.
O vice-presidente destaca a prioridade em reduzir o aumento tarifário. “O prioritário é tirar os 40%. Esse que é prioritário”, declara Alckmin. Ao ser questionado sobre o momento ideal para a redução, ele afirma: “O mais rápido possível".
Minerais estratégicos na mira dos EUA
Um dos caminhos considerados pelo governo para aliviar o tarifaço é o acesso dos Estados Unidos a minerais estratégicos brasileiros, as chamadas terras raras. Os minerais são essenciais para as novas tecnologias, e os americanos demonstram interesse neles. Alckmin já admitiu publicamente que essa concessão pode ser um atalho para a redução das tarifas.
A expectativa é que os Estados Unidos atendam a esse pedido de trégua, que estava contido em um documento entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-presidente Donald Trump. O documento pedia a redução da tarifa de 50% para 10% enquanto o diálogo entre os países avança.
Análise
Para o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, é preciso ter cautela neste momento e não comemorar antecipadamente. Azevedo ressalta que, em termos de conteúdo, é difícil saber a que ponto as negociações chegaram e qual será o rumo.
No entanto, o ex-diretor da OMC observa que o momento é de construção de condições para um diálogo mais pragmático e objetivo, focado em temas estritamente comerciais.
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