Na retomada dos trabalhos legislativos após 45 dias de recesso, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, demonstram resistência à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Integrantes do Centrão e a cúpula das duas Casas já sinalizaram ao Palácio do Planalto que sessões conjuntas do Congresso não serão convocadas no curto prazo.
A estratégia visa evitar que o retorno parlamentar seja dominado por cobranças públicas pela abertura de uma CPI Mista. Apesar de já haver assinaturas suficientes para a criação de comissões de investigação, a articulação política busca usar o período que antecede o Carnaval para "esfriar" o tema e evitar o desgaste político.
Acúmulo de vetos e o projeto da dosimetria
Enquanto as sessões do Congresso não são convocadas, o acúmulo de pautas pendentes cresce nas gavetas do Legislativo. Atualmente, existem 73 vetos presidenciais aguardando análise. Entre os pontos mais sensíveis está o veto ao projeto da dosimetria de penas.
Este projeto é considerado crucial por setores da oposição, pois tem o potencial de reduzir as penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A medida poderia beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro em processos correlatos.
Retorno às atividades
Na próxima segunda-feira, deputados e senadores retornam oficialmente a Brasília para dar início ao ano legislativo. A pauta econômica e a sucessão de interesses entre o Executivo e o Legislativo devem marcar as primeiras semanas, sob a sombra das investigações que envolvem o sistema financeiro e a pressão de parlamentares que defendem a apuração imediata do caso Banco Master.
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