Peritos da Polícia Federal confirmaram a recuperação de gravações, imagens e mensagens armazenadas no telefone celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O acesso aos dados ocorreu após a defesa do banqueiro, representada pelo advogado Roberto Podval, se recusar a fornecer as senhas dos aparelhos apreendidos, sob a justificativa de proteger relações pessoais e privadas sem conexão com o caso.
O inquérito, que permanece sob sigilo por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura irregularidades na tentativa de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). O negócio, avaliado em mais de R$ 12 bilhões, foi interrompido pelo Banco Central (BC) após a identificação de suspeitas de fraudes e créditos falsos na operação.
Depoimentos e relações com autoridades
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro admitiu manter contatos com autoridades dos Três Poderes, incluindo visitas recíprocas à residência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ibaneis Rocha confirmou os encontros, mas negou ter tratado de qualquer tema relacionado à venda da instituição financeira ao BRB.
Ao ser questionado pela delegada Janaina Palazzo sobre outros políticos frequentadores de sua casa, o banqueiro afirmou ter amigos em diversas instâncias, mas minimizou a influência política no caso, argumentando que, se tivesse tal poder, não teria sido preso nem tido o negócio barrado.
Falhas de governança e rombo bilionário
A fiscalização do Banco Central apontou falhas graves na governança do BRB. Segundo Aílton de Aquino, diretor de fiscalização do BC, a instituição brasiliense deveria ter identificado a inconsistência dos créditos envolvidos na transação. Aquino destacou ainda a fragilidade de liquidez do Banco Master antes da intervenção: enquanto um banco de R$ 80 bilhões deveria possuir entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em caixa, o Master detinha apenas R$ 4 milhões.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou em depoimento ter cobrado explicações diretamente de Vorcaro quando surgiram as dificuldades na diretoria financeira. A estimativa atual do Banco Central é de que o prejuízo causado ao BRB com a operação chegue a R$ 5 bilhões, valor que pode impactar diretamente os cofres públicos do Distrito Federal.
Embora o ministro Dias Toffoli avalie enviar parte do processo para a primeira instância, os trechos que envolvem autoridades com foro privilegiado permanecerão sob jurisdição do STF.
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