Jornal da Noite

Trump recua por pressão eleitoral e influência da China, dizem analistas

Eles apontam que eleições nos EUA e articulação chinesa via Paquistão motivaram cessar-fogo; mercado de petróleo reage com queda nos preços

Da redação
DA REDAÇÃO

07/04/2026 • 23:30 • Atualizado em 07/04/2026 • 23:30

O recuo de Donald Trump e o anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas no Oriente Médio alteraram drasticamente o clima de guerra iminente. Após ameaçar "acabar com a civilização" iraniana, o governo americano mudou o tom, sinalizando uma trégua que, segundo especialistas, está fundamentada mais em necessidades políticas internas do que em uma resolução definitiva dos conflitos.

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Para o mestre em Direito por Harvard, Emanuel Pessoa, a decisão de Trump de suspender os ataques a apenas 90 minutos do prazo final tem relação direta com as eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. O prolongamento de uma guerra poderia prejudicar as chances do Partido Republicano de manter o controle do Congresso, especialmente após vitórias da oposição democrata em distritos tradicionalmente conservadores. "Trump está preocupado em perder essas eleições", afirma Pessoa.

Impacto econômico e a fragilidade da trégua

A sinalização de abertura do Estreito de Ormuz trouxe um alívio imediato ao mercado financeiro, com uma queda acentuada nos preços do petróleo. No entanto, o otimismo é cauteloso. O economista Gesner Oliveira ressalta que o cenário ainda é de monitoramento e apreensão. Para ele, o mercado passou de uma situação de pânico para uma "apreensão de acompanhamento", alertando que processos de cessar-fogo são historicamente difíceis e suscetíveis a novos episódios de violência.

A proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã, que inclui o reconhecimento de seu programa nuclear e o pagamento de indenizações de guerra, é vista com ceticismo. Emanuel Pessoa argumenta que concessões como indenizações e revogação de resoluções da ONU estão "fora de cogitação". Para o analista, o que se vê agora é uma "guerra de narrativas", onde ambos os lados tentam cantar vitória para seus públicos internos.

A mão da China e o novo papel do Paquistão

Um dos pontos mais surpreendentes da negociação foi a emergência do Paquistão como mediador central. Contudo, o professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan alerta que é preciso olhar para quem está por trás do governo paquistanês. Segundo sua análise, a intervenção foi, na verdade, uma movimentação da China.

Para Trevisan, o Paquistão atuou como um braço dos interesses chineses para "acalmar" Donald Trump e colocar o presidente americano "no lugar dele". O professor Floriano Filho reforça a gravidade do momento, afirmando que, independentemente da duração desta trégua, o mundo atravessou uma linha divisória e "nunca mais será o mesmo".