Band Jornalismo

Irã planeja controlar Ormuz após depois da guerra, diz líder supremo

Além disso, o líder tratou o programa nuclear e a capacidade de produção de mísseis como ativos nacionais intocáveis

Da redação
DA REDAÇÃO

01/05/2026 • 07:50 • Atualizado em 01/05/2026 • 07:57

Mojtaba Khamenei em foto de outubro de 2024

Mojtaba Khamenei em foto de outubro de 2024

WANA via Reuters

Em uma rara manifestação oficial divulgada por seu gabinete, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, reafirmou a postura rígida do regime contra a influência ocidental no Oriente Médio. O líder, que não aparece publicamente há cerca de dois meses desde que assumiu o comando da teocracia, declarou de forma enfática que os Estados Unidos serão excluídos do futuro do Golfo Pérsico, não possuindo mais lugar na região.

Compartilhar

A declaração abordou diretamente os pontos de maior atrito que têm travado as negociações diplomáticas. Khamenei indicou que o Irã pretende assumir a gestão total do Estreito de Ormuz após o conflito, implementando novos marcos legais para o controle da rota. Além disso, o líder tratou o programa nuclear e a capacidade de produção de mísseis como ativos nacionais intocáveis, comparando a proteção desses projetos à defesa das próprias fronteiras físicas do país.

Essa postura ataca os pilares das exigências americanas, já que o governo Trump busca restringir as ambições atômicas iranianas e garantir que o país não limite a circulação de navios no estreito.

Embarcações no Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (1º) na Península de Omã   Crédito: Reuters

Embarcações no Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (1º) na Península de Omã   Crédito: Reuters

Recentemente, o regime tentou reabrir a rota mediante a imposição de um pedágio aos petroleiros, proposta que foi prontamente rejeitada pelos EUA e por nações árabes vizinhas, como Omã, mantendo as conversas em um impasse absoluto.

Atualmente, o bloqueio duplo no Estreito de Ormuz afeta o transporte de um quinto do suprimento global de petróleo, elevando os preços e gerando um impacto severo na economia iraniana, com a moeda nacional atingindo mínimas históricas. Para reforçar sua mensagem, Khamenei utilizou o simbolismo do Dia Nacional do Golfo Pérsico, conectando a resistência atual contra os EUA à vitória histórica sobre Portugal em 1622, enquadrando o conflito moderno como uma continuação da luta contra potências coloniais.

*Com informações do Estadão Conteúdo.