
"Ninguém nos vencerá por meio de mentiras”, diz Lula em artigo no The Washington Post
Adriano Machado/Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classifica como um "erro estratégico" a imposição de novas tarifas comerciais anunciada pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Em artigo de opinião publicado no jornal The Washington Post, o chefe do Executivo brasileiro afirma que a medida adota critérios injustos e adverte que as sobretaxas trazem prejuízos mútuos, ao encarecer insumos e produtos para os próprios consumidores e indústrias norte-americanas.
No texto, o presidente destaca que setores vitais da economia — como alimentos, calçados, têxteis, móveis e autopeças — sofrem impactos diretos com as barreiras impostas pela administração do presidente Donald Trump.
Lula enfatiza que o destino político do Brasil depende exclusivamente do povo brasileiro e rechaça qualquer tentativa de ingerência ou subserviência às agendas políticas externas, destacando a importância da soberania nacional.
“A reciprocidade é a base de toda relação entre nações, e dispomos dos mecanismos adequados para garanti-la. Ninguém nos vencerá por meio de mentiras”, ressalta Lula.
Defesa de políticas digitais e soberania nacional
O pronunciamento oficial rebate diretamente as justificativas norte-americanas utilizadas para fundamentar as sanções econômicas.
Em resposta às críticas direcionadas ao sistema de pagamentos Pix e à regulamentação do ambiente digital no país, o presidente brasileiro reforça que a liberdade de expressão em redes sociais não deve ser confundida com salvo-conduto para ações criminosas, defendendo a atuação do Estado na contenção de excessos das grandes empresas de tecnologia.
Sobre o Pix, o texto destaca que a ferramenta representa uma referência internacional em infraestrutura pública digital, desenvolvida de forma neutra e sem qualquer tipo de discriminação contra empresas ou instituições estrangeiras.
A respeito da condução das relações diplomáticas e comerciais, a posição da presidência aponta que a reciprocidade é o pilar fundamental do diálogo internacional.
O governo brasileiro reitera que dispõe de mecanismos jurídicos e institucionais para garantir a equivalência no tratamento comercial, mas reafirma a disposição do país para manter canais abertos de negociação e diálogo construtivo com os Estados Unidos.
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