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Maioridade penal no Brasil: entenda o que diz a lei e o debate no Congresso

PEC aprovada no CCJ agora pode ser votado em comissão especial

Bruno Borges
BRUNO BORGES

11/06/2026 • 11:52 • Atualizado em 11/06/2026 • 13:51

Resumo

Aprovação da PEC da maioridade penal pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara autoriza o texto a ser votado em comissão especial e, se aprovado, segue para o plenário; proposta prevê punição criminal de jovens a partir de 16 anos em casos de violência extrema ou crimes hediondos.

Debate nacional e internacional sobre maioridade penal envolve aumento do interesse popular, diferenças entre modelos jurídicos de Brasil, Estados Unidos e Argentina, e críticas de órgãos como a ONU e Human Rights Watch, que apontam riscos de retrocesso em tratados e aumento da reincidência criminal entre adolescentes.

Discussão jurídica centraliza-se na dúvida se o artigo 228 da Constituição representa cláusula pétrea, com correntes que defendem sua imutabilidade como direito fundamental versus argumentos de que o critério etário é opção de política criminal modificável por emenda constitucional, mantendo o tema em pauta no Congresso e na sociedade.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou na tarde desta quarta-feira (10) o texto da PEC sobre a redução da maioridade penal. O texto agora está apto para ser votado na Comissão Especial e, caso aprovado, vai para análise no plenário da Casa.

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O debate sobre a segurança pública e a responsabilização criminal de adolescentes voltou à pauta política e as pesquisas dos brasileiros na internet. Um levantamento da Sala Digital, parceria entre a Band e o Google, identificou dúvidas recorrentes dos brasileiros sobre o assunto. Termos como "votação maioridade penal" e "maioridade penal ccj" registraram crescimento repentino de interesse, impulsionados pelas recentes movimentações legislativas.

Para esclarecer o tema, reunimos as principais dúvidas dos usuários sobre conceitos, o cenário internacional e o atual debate da proposta no Brasil.

O que é maioridade penal e como funciona a lei atual?

O volume de buscas por termos básicos mostra que a população busca, antes de tudo, compreender os conceitos jurídicos.

O que é maioridade penal?

A maioridade penal é a idade mínima a partir da qual um cidadão responde plenamente por seus atos criminosos perante a justiça comum, ficando sujeito às penas do Código Penal, inclusive a prisão em regime fechado.

  • Menoridade penal: É o período em que o indivíduo tem menos de 18 anos e é considerado penalmente inimputável.
  • Maioridade civil: É a idade em que a pessoa adquire plena capacidade para exercer os atos da vida civil (como assinar contratos, casar ou abrir empresa).

No Brasil, tanto a maioridade civil quanto a penal ocorrem aos 18 anos, mas são conceitos jurídicos totalmente independentes e com finalidades distintas.

Como funciona a lei da maioridade penal no Brasil hoje?

Atualmente, a lei da maioridade penal é regida pelo artigo 228 da Constituição Federal e regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Menores de 18 anos não cometem "crimes", mas sim atos infracionais.

Isso não significa impunidade, já que adolescentes de 12 a 17 anos que praticam infrações graves recebem medidas socioeducativas, sendo a internação em estabelecimentos especializados a mais severa. O período máximo de internação permitido é de 3 anos, com avaliações periódicas obrigatórias.

Maioridade penal no mundo: a realidade nos EUA, Argentina e o alerta de órgãos internacionais

Os dados do Google revelam um interesse acentuado (com altas de até +400% nos últimos 12 meses) por termos como "maioridade penal no mundo" e variações perguntando sobre a maioridade em países como os Estados Unidos e a Argentina.

Estados Unidos e Argentina

  • Maioridade penal nos Estados Unidos: O modelo norte-americano é descentralizado. A maior parte dos estados fixa a maioridade em 18 anos para delitos comuns. No entanto, quase todas as jurisdições possuem os chamados waivers (mecanismos de transferência), que permitem que jovens a partir de 12 ou 14 anos — dependendo do estado — sejam julgados como adultos em tribunais convencionais se cometerem crimes hediondos.
  • Maioridade penal na Argentina: O país vizinho foi responsável por um dos maiores picos de interesse dos internautas (+400% nos últimos 12 meses). Recentemente, o Senado argentino aprovou reformas na legislação juvenil que reduziram a idade de imputabilidade penal de 16 para 14 anos para crimes graves.

Por que a maioridade é 18 anos?

A maioridade fixada nos 18 anos foi estabelecida na Convenção sobre os Direitos da Criança que foi adotada durante a Assembleia Geral da ONU de 1989. Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), “é o instrumento de direitos humanos mais aceito na história universal. Foi ratificado por 196 países. Somente os Estados Unidos não ratificaram a Convenção. O Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança em 24 de setembro de 1990.”

A possibilidade de redução da idade penal é vista com preocupação por organizações internacionais de direitos humanos. A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de seu Alto Comissariado, e a Human Rights Watch (HRW) posicionam-se historicamente contra propostas de redução.

Segundo essas entidades, a redução da maioridade penal representa um retrocesso em relação aos tratados internacionais assinados pelo Brasil, como a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança. Dar tratamento de adulto a adolescentes em sistemas carcerários comuns não reduz a violência e tende a elevar as taxas de reincidência, uma vez que expõe os jovens ao recrutamento por facções criminosas.

O debate no Brasil: A PEC na CCJ e o debate constitucional

No Brasil, o debate legislativo atingiu seu ápice recentemente na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. O interesse pelo termo "pec maioridade penal" cresceu mais de +200% no último ano após a retomada das discussões sobre propostas de emenda constitucionais.

O parecer apresentado pelo relator na CCJ, deputado Coronel Assis (PL-MT), foca na admissibilidade da PEC 32/15 para prever a punição criminal de jovens a partir de 16 anos em casos específicos de violência extrema e crimes hediondos.

A polêmica jurídica: É cláusula pétrea?

A dúvida se a maioridade penal é cláusula pétrea registrou alta de +90% nas buscas. Trata-se do ponto central da disputa técnica entre os juristas:

  • Corrente contrária à redução: Advoga que o limite de 18 anos previsto no Artigo 228 constitui um direito e garantia individual do cidadão. Por estar amparado pelas garantias do Artigo 5º, trata-se de uma cláusula pétrea que não poderia ser alterada por PEC, exigindo uma nova Assembleia Constituinte.
  • Corrente favorável à redução: Argumenta que o critério etário é uma opção de política criminal e uma norma meramente penal que está inserida na Constituição, não se configurando como direito humano fundamental inalterável, o que validaria a votação por meio do Congresso.

A aprovação da continuidade da PEC na CCJ encaminha o texto para a criação de uma comissão especial, que avaliará o mérito da proposta antes da votação no Plenário. Após isso, a PEC passa para votação no Congresso e caso aprovada avança para o Senado. Enquanto a matéria cumpre os ritos do Congresso Nacional, o debate segue em aberto nas esferas políticas e na sociedade. Veja a íntegra da votação no CCJ:

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