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Microplásticos elevam risco cardiovascular e são emergência ambiental

Microplásticos são encontrados em diversos órgãos humanos, da placenta ao cérebro, e atuam como vetores de poluentes; pesquisas da Unifesp mapeiam a contaminação em ecossistemas brasileiros

Da redação
DA REDAÇÃO

11/12/2025 • 16:39 • Atualizado em 11/12/2025 • 16:39

Unifesp realiza estudos sobre efeitos de microplásticos

Unifesp realiza estudos sobre efeitos de microplásticos

Arquivo Pessoal

Os microplásticos (MPs) são classificados como uma emergência ambiental devido à sua onipresença no planeta e aos seus potenciais efeitos prejudiciais, sendo definidos como partículas poliméricas antropogênicas com tamanho entre 0,001 e 5 milímetros de diâmetro. Estima-se que a produção global de plástico ultrapasse 400 milhões de toneladas por ano, com menos de 10% sendo reciclada. A exposição humana ocorre por ingestão e inalação, começando antes mesmo do nascimento, com a presença de MPs detectada na placenta.

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A preocupação com a saúde é acentuada por um estudo recente, de 2024, que associa a presença de microplásticos e nanoplásticos (NPs) em ateromas (placas de gordura) a um aumento de 4,53 vezes no risco de eventos cardiovasculares em pacientes.

“Os microplásticos se tornaram uma questão urgente, pois à medida que foram sendo estudados, foi-se percebendo sua onipresença em todo o ambiente e até mesmo dentro dos organismos, porém ainda sem uma plena compreensão sobre seus efeitos”, destaca o professor Décio Semensatto, da Unifesp, que participou de estudos sobre como estes microplásticos podem afetar o dia a dia da população.

A exposição constante a essas partículas pode induzir quadros de estresse oxidativo e um estado inflamatório crônico, exigindo grande desgaste do organismo. Os MPs já foram localizados em diversos tecidos e órgãos humanos, incluindo sangue, baço, fígado, sêmen, cérebro e pulmões.

Os microplásticos são classificados como poluentes emergentes por estarem presentes em virtualmente todos os ecossistemas, do fundo do mar ao topo das montanhas, e por terem efeitos ainda não totalmente compreendidos.

Além de danos físicos, como o bloqueio do trato digestivo de animais, a degradação do plástico libera mais de 13 mil substâncias químicas tóxicas no ambiente. Adicionalmente, os microplásticos podem acumular outros poluentes (adsorção) e atuar como vetores para a dispersão de microrganismos, contribuindo para a resistência antimicrobiana.

Fontes de Contaminação e Pesquisas no Brasil

Os microplásticos se originam de duas fontes principais:

  • Microplásticos Primários: Chegam na natureza já em pequenas dimensões, sendo intencionalmente adicionados em produtos como cosméticos, cremes dentais, esfoliantes e glitter.
  • Microplásticos Secundários: Mais comuns e preocupantes, são derivados da fragmentação de itens plásticos maiores, como garrafas e copos.

Uma fonte adicional relevante de contaminação é a liberação de microfibras por materiais têxteis durante a lavagem.

No Brasil, pesquisas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) concentram-se na detecção e monitoramento dos MPs em diversos ecossistemas, incluindo águas, sedimentos e solos. Os estudos da Unifesp utilizam moluscos bivalves (ostras e mariscos) como organismos "sentinelas" e arquivos vivos da poluição em zonas costeiras, permitindo um monitoramento nacional da contaminação.

Entre os achados das pesquisas, destacam-se:

  • A detecção da presença de microplásticos nos sedimentos de rios amazônicos no entorno de Manaus.
  • A importância de calcular o volume de MPs para uma representação mais precisa da quantidade de plástico.
  • A identificação de concentrações preocupantes de microplásticos em Áreas Marinhas Protegidas (AMPs), como Fernando de Noronha e Atol das Rocas.

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