Band Jornalismo

Ministro do STJ acusado de assédio sexual recebe alta após internação

Em 10 de fevereiro, ainda internado, Buzzi solicitou afastamento do cargo por 90 dias, alegando problemas cardíacos

ESTADÃO CONTEÚDO

18/02/2026 • 13:36 • Atualizado em 18/02/2026 • 13:45

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi recebeu alta do Hospital DF Star, em Brasília, nesta quarta-feira, 18. Ele estava internado desde 5 de fevereiro e não há informações oficiais sobre seu estado de saúde. A internação ocorreu depois do início das investigações contra o magistrado por denúncias de assédio e importunação sexual.

Compartilhar

O pedido de licença médica foi apresentado um dia depois de o STJ decidir instaurar sindicância para apurar a primeira acusação, envolvendo uma jovem de 18 anos. Segundo o relato, o episódio teria ocorrido na casa de praia do ministro, em Santa Catarina. O magistrado nega.

Em 10 de fevereiro, ainda internado, Buzzi solicitou afastamento do cargo por 90 dias, alegando problemas cardíacos.

A primeira acusação quando a família de uma jovem de 18 anos procurou ministros da Corte. Segundo os relatos, a vítima passava férias com os pais e a família do ministro no imóvel dele, localizado em Santa Catarina. O ministro teria tentado agarrar a jovem à força.

O caso está sendo investigado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). O STJ também abriu uma sindicância para apurar os relatos. Outra mulher que trabalhou com o ministro relatou fatos similares aos do primeiro caso. Os dois processos estão sob sigilo no CNJ.

Os advogados João Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, que conduzem a defesa de Buzzi, dizem que ele "não cometeu qualquer ato impróprio". A defesa afirma que "vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados são um truque sórdido", e que "tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por 'juízes' e opiniões inflamadas".

Ex-recepcionista faz denúncia contra Marco Buzzi

Buzzi tem uma segunda denúncia de assédio sexual, desta vez apresentada por uma ex-recepcionista que trabalhava em seu gabinete. A servidora prestou depoimento ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante cerca de quatro horas, detalhando episódios ocorridos no ano passado.

Segundo o relato da ex-funcionária, o ministro teria praticado atos de libidinagem contra ela em pelo menos três locais diferentes: na biblioteca, em uma sala fechada do gabinete e em um corredor do tribunal. A vítima apresentou mensagens que comprovam que ela reportou os abusos aos seus superiores na época.

De acordo com o depoimento, a única providência tomada foi a alteração de seu horário de trabalho. Abalada psicologicamente, a mulher desenvolveu depressão profunda e estresse, o que teria causado um derrame ocular e a perda parcial de sua visão.