
O que é misoginia?
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Misoginia, definida como ódio, desprezo ou aversão às mulheres, vai além de um sentimento individual e funciona como um mecanismo social que busca controlar, punir ou coagir quem desafia normas patriarcais e papéis tradicionais de gênero.
A pergunta “o que é misoginia?” é uma das mais buscadas no Google nesta quinta-feira (19), segundo monitoramento da Sala Digital. O interesse dos brasileiros pelo tema coincide com as investigações da morte da policial militar Gisele Alves, que teria sido assassinada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, em São José dos Campos (SP).
Abaixo, saiba o que é misoginia, a diferença para o machismo e como identificá-la no dia a dia:
O que é misoginia e como ela atua
A misoginia se expressa como uma espécie de “polícia de gênero”. Ela reage quando mulheres questionam padrões estabelecidos, como a ideia de que devem ser submissas, discretas ou priorizar a família em detrimento da carreira.
Enquanto o machismo corresponde ao sistema de crenças que exalta a masculinidade e legitima a dominação masculina, a misoginia representa a aplicação prática dessas ideias. É o momento em que a ideologia se converte em hostilidade e desvalorização do feminino.
Presença no trabalho, na linguagem e na internet
No ambiente profissional, a misoginia aparece na desqualificação de características associadas a mulheres e na desvalorização de suas competências. Ideias apresentadas por mulheres podem ser ignoradas e depois aceitas quando repetidas por homens, e a gravidez costuma ser tratada como obstáculo à dedicação.
Na linguagem cotidiana, insultos como “mulherzinha” para indicar fraqueza e a rotulagem de mulheres como mandonas ou arrogantes apenas por se posicionarem reforçam a ideia de inferioridade feminina. Também é comum reduzir reações emocionais à TPM, o que invalida experiências e opiniões.
No ambiente digital, a misoginia aparece em campanhas de difamação, assédio sexual, cyberbullying e em grupos que defendem a superioridade masculina, como comunidades de incels.
Violência e efeitos estruturais
As consequências incluem violência doméstica, abuso sexual e feminicídio. Na economia, a misoginia alimenta a disparidade salarial, a segregação ocupacional e taxas mais altas de desemprego entre mulheres. Na política, dificulta o acesso a cargos de liderança, restringindo a diversidade de vozes na esfera pública.
A exposição constante a comportamentos misóginos também afeta a saúde mental e física, com quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima e estresse crônico. Muitas mulheres acabam internalizando a ideia de inferioridade, o que leva à autolimitação e à reprodução de valores que sustentam a própria opressão.
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