E o tarifaço saiu. Mais um petardo disparado pela Casa Branca contra as empresas brasileiras, com risco de quebradeira e desemprego em alguns setores. A nova tarifa de 25% foi confirmada para milhares de produtos, preservando o que a economia americana considera estratégico para ela — carne bovina, café, aeronave e peça de aeronave, as tais terras raras. Agora, açúcar, aço, máquina, equipamento elétrico, papel, calçado, roupa: tudo atingido.
Donald Trump já deve ter perdido a conta de quantas tarifas e investigações comerciais disparou por aí. O economista e diplomata Marcos Troyjo resolveu calcular e descobriu que 85 países foram atingidos — 86 se a gente contar Hong Kong, que, embora parte da China, é tratado separadamente no comércio internacional.
Sabe o que isso quer dizer? Pega o PIB do mundo, subtrai o PIB americano e, do que sobra, 98% da economia do planeta está sob investigação da Casa Branca por práticas que o governo Trump classifica como desleais.
Estão lá os países da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça, Noruega. Tudo isso para dizer uma coisa: não é só o Brasil, o mundo inteiro sente o bafo da onça.
A diferença é como cada governo reage. E, nesse ponto, o Brasil virou uma exceção, porque resolveu explorar politicamente a disputa. O site Poder 360 contabilizou 62 críticas públicas de Lula ao governo Trump desde o início do mandato, 42 delas só este ano. Lula chegou a chamar Trump de pirata e também detonou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, de origem cubana, chamando-o de latino-americano frustrado.
Rubio respondeu dizendo que Lula colocou o ego à frente da possibilidade de um acordo. O governo americano avisou: as tarifas podem ser reduzidas ou aumentadas, depende da reação brasileira. Numa entrevista hoje à tarde, o vice-presidente Geraldo Alckmin não falou em retaliação, mas em alguma forma de compensação para os setores afetados.
Diferentemente do caminho brasileiro, que é bater de frente no discurso, outros países optaram pela negociação reservada. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, enfrentou a mesma ameaça de tarifa de 25%, mas não deu declarações — nos bastidores, fez acordo, fez concessões, parou de comprar petróleo russo e conseguiu reduzir a taxa.
A Argentina seguiu caminho semelhante: ampliou a cota de venda de carne bovina e também conseguiu reduzir a tarifa, e está colhendo os resultados, com um crescimento importante de exportações para os Estados Unidos.
Claro, cada país tem as suas particularidades, e uma particularidade brasileira é a eleição de outubro. Lula entende que enfrentar Trump pode ser útil na disputa contra Flávio Bolsonaro, que é amigo do governo americano.
O risco dessa opção é transformar os dividendos eleitorais num prejuízo duradouro para as empresas brasileiras, que, no fim do dia, são quem produz, quem gera emprego, quem movimenta a economia. Vamos acompanhar.
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