
Oinegue: Como Trump decidiu adotar a política da força
Reprodução/Band
Existem muitas formas de brutalidade. E Donald Trump apresentou a lista dele. Tá apresentando, né? Ele taxou tudo que é país, ameaçou anexar a Groenlândia, caçar estrangeiro dentro do território americano, propondo construir resort em Gaza e agora no conflito contra o Irã, ameaçando destruir uma civilização, definindo uma hora pra isso, deixando o mundo em pânico. Aí quando faltam menos de duas horas, para a contagem regressiva, adia o prazo fatal em duas semanas.
Ninguém sabe se o conflito tá acabando, se vai continuar, se vai ter destruição. E aí enquanto isso a região sofrendo, Oriente Médio, os mercados enlouquecendo, a inflação e a crise se espalhando pelo mundo. É uma loucura.
Em 2003 os Estados Unidos invadiram o Iraque com provas fabricadas. Foi um absurdo. Mas ainda assim, Colin Powell, Secretário de Estado de Bush filho, general de quatro estrelas, homem respeitado no governo americano, ele foi à tribuna da ONU para defender a ação militar, esfarrapada, né? Mostrou fotos de satélite, invocou resoluções, descreveu laboratórios móveis de armas químicas que não existiam. Não convenceu ninguém. Mas ele foi à ONU. Então aquela ida era uma forma do governo americano dizer o seguinte: 'a gente reconhece a existência de um fórum internacional'.
Trump não reconhece nada. Nem as instituições que os próprios Estados Unidos ajudaram a construir: ONU, FMI, Banco Mundial, OTAN. Ele já saiu de mais de 60 organizações internacionais. Diálogo internacional pra ele? Esquece. Vale quase nada. Vale o confronto. Viva o confronto, viva a guerra.
Guerra, a rigor, sempre existiu, certo? Tem um autor consagrado, ele escreveu décadas atrás uma conta. Ele disse o seguinte: em 3.500 anos de história, só em 268 a gente não teve guerra. E tem estudioso que foi tentar refazer a conta e disse: 'olha, essa conta é otimista'.
Pega um garoto de 10 anos hoje. Já viu a guerra na Síria, na Ucrânia, em Gaza, tá acompanhando essa do Irã. Pega alguém com 20 anos. Acrescenta aí Afeganistão, Iraque e assim vai. É um ciclo antigo. Mas tem uma coisa que mudou depois da Segunda Guerra Mundial. É que as maiores potências pararam de se confrontar, de se destruir diretamente. Porque elas constataram o óbvio: guerra direta entre potências não deixa vencedor, porque todas têm arma nuclear. E vamos combinar, tinham as instituições multilaterais que criavam canais de comunicação.
O Trump despreza as instituições. Prefere a lei do mais forte. Até porque o mais forte são os Estados Unidos, donos do maior orçamento militar do planeta. Quase 900 bilhões de dólares por ano. Mais do que o orçamento da China, da Rússia, do Reino Unido, da Alemanha, da França, do Japão e da Índia somados. Então os Estados Unidos trocaram o poder que tinham nas instituições pela força bruta. Potências com poder institucional se apoiam na diplomacia. Potências que priorizam a força acabam precisando das armas pra provar supremacia. E toda vez que usam, o mundo fica menos seguro do que estava antes.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


