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'Olham, mas não ajudam': Venezuelanos se revoltam com omissão de militares

País já registra cerca de 2.000 mortos após terremos registrados na semana passada

YAN BOECHAT

01/07/2026 • 06:00 • Atualizado em 01/07/2026 • 06:00

Enquanto o número oficial de mortos nos terremotos da Venezuela sobe para perto de 2.000, um cenário de contradição e indignação toma conta das ruas de La Guaira, o estado mais afetado pelos terremotos que atingiram o país na semana passada.

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Apesar de o país contar com um contingente de mais de 100 mil militares, a população denuncia que as tropas estão sendo usadas apenas para monitoramento e patrulha, enquanto vizinhos e familiares cavam com as próprias mãos em busca de sobreviventes.

Nas vias de La Guaira, a presença de fardados é ostensiva. São milhares de policiais e militares espalhados pela cidade, mas o trabalho braçal de remoção de concreto e busca por vítimas fatais recai quase inteiramente sobre os civis.

Para os venezuelanos, essa ausência de auxílio direto é injustificável. Moradores afirmam que muitas vidas poderiam ter sido salvas se o braço forte do Estado tivesse sido acionado a tempo para as operações de resgate, em vez de apenas observar o caos.

Deslocados fazem fila para receber medicação em La Guaira (Miguel Medina/Pool via REUTERS)

Deslocados fazem fila para receber medicação em La Guaira (Miguel Medina/Pool via REUTERS)

Silêncio do governo

Em pronunciamento oficial, a presidente interina Delcy Rodríguez elogiou o trabalho das equipes de resgate, mas ignorou as críticas sobre a demora e a ausência dos militares nas operações de salvamento. Enquanto o governo nega a falta de ajuda, o relato de quem está na linha de frente é de abandono.

Tudo o que disseram sobre socorristas é falso. Eles estavam lá, mas não tinham os recursos necessários. --Edgar, pai de uma jovem desaparecida

Astrid, outra familiar atingida pela tragédia, reforça que a responsabilidade deveria ser do Estado, mas são os próprios moradores que acabam fornecendo ferramentas e comida para os poucos socorristas que tentam trabalhar.

Insegurança e desamparo

A paralisia das forças de segurança em atuar no resgate abre margem para outras crises. Em meio à destruição de quase 60 mil edifícios identificados pela NASA, o medo de saques é constante. Em um dos prédios desabados, foram os próprios vizinhos --e não os militares que patrulham a região-- que precisaram deter um homem que tentava roubar pertences entre os destroços.

Sem um plano de contingência eficaz e com as forças armadas distantes do trabalho de salvamento, os venezuelanos enfrentam a tragédia contando apenas com a solidariedade mútua e a esperança de ajuda internacional.