
Mette Frederiksen ao fundo do presidente Trump durante a cúpula da Otan
Umit Bektas/Reuters
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, recebeu apoio imediato de líderes políticos da Europa após rebater publicamente o presidente americano Donald Trump durante a cúpula da Otan, em Ancara, na Turquia. Alguns de seus pares consideraram a resposta uma defesa necessária da integridade territorial diante das pressões exercidas pela Casa Branca.
A manifestação ocorreu após o líder dos Estados Unidos defender que a ilha estratégica da Groenlândia fique sob o controle de Washington, alegando que o território é estratégico para o seu projeto de segurança nacional. Em pronunciamento firme na conferência, a governante dinamarquesa declarou que a Groenlândia não está à venda e exigiu que os aliados respeitem a soberania e a autodeterminação da população local.
Nossa posição é clara, como sempre foi. A Groenlândia não está à venda. Somos um Estado soberano e esperamos que todos, incluindo nossos aliados, respeitem o direito do povo da Groenlândia à autodeterminação e a nossa integridade territorial
Quem é Mette Frederiksen
A primeira-ministra da Dinamarca alcançou o posto de chefe de governo em 2019, tornando-se a pessoa mais jovem a assumir o cargo na história do país europeu. A governante, de 48 anos, que cumpre o seu segundo mandato consecutivo na liderança do parlamento em Copenhague, consolidou a sua trajetória política por meio de uma postura pragmática voltada à defesa dos interesses nacionais.
Nascida em Aalborg, Mette Frederiksen iniciou as suas atividades públicas no Partido Social-Democrata ainda na juventude. Antes de assumir a liderança do Executivo dinamarquês, ela exerceu funções estratégicas na administração pública do país, atuando como ministra do Emprego e ministra da Justiça em gabinetes anteriores.
A postura de Mette Frederiksen diante de Trump na cúpula da Otan aumentou o interesse do público sobre a primeira-ministra da Dinamarca no Google Trends em 40% em relação à semana anterior - veja o gráfico na íntegra.

Ascensão e perfil político
A carreira da líder dinamarquesa é marcada pela reestruturação da plataforma política de sua legenda. Sob o seu comando, o Partido Social-Democrata alinhou propostas tradicionais de bem-estar social a uma abordagem mais rígida em temas sensíveis, como a segurança interna e o controle de fronteiras territoriais.
A primeira-ministra da Dinamarca fundamenta a sua gestão no conceito de Estado protetor, que busca equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação da identidade cultural do país. Essa estratégia garantiu a Frederiksen uma ampla base de apoio parlamentar, permitindo a formação de coalizões governamentais duradouras no Parlamento da Dinamarca (Folketing).
Defesa da soberania territorial
O posicionamento firme da premiê em fóruns internacionais reflete as diretrizes históricas da diplomacia dinamarquesa. Para cientistas políticos que acompanham a política europeia, a recusa da governante em negociar porções do território nacional demonstra a centralidade da integridade soberana em sua agenda externa.
A atuação de Mette Frederiksen na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) evidenciou a sua capacidade de mediar crises com potências globais sem abrir mão de princípios constitucionais. O governo dinamarquês reitera que o protagonismo da primeira-ministra na condução da crise preserva a autoridade de Copenhague na governança da região do Ártico.
O histórico das tensões
O interesse americano sobre a Groenlândia reflete uma estratégia de segurança nacional de Trump, que defende a anexação da ilha como parte de um projeto de defesa aérea global. O presidente dos Estados Unidos sugeriu que a região é fundamental para a criação do chamado Domo de Ouro.
A proposta de Trump envolve a implementação de um sistema de defesa aérea similar ao utilizado por Israel para proteger o território norte-americano de potenciais ameaças balísticas vindas do Ártico.
Para a primeira-ministra dinamarquesa, o plano dos Estados Unidos ignora a soberania do país europeu e desrespeita os acordos diplomáticos vigentes entre os dois aliados históricos da aliança militar ocidental.
Próximos passos diplomáticos
Mette Frederiksen avalia que as relações bilaterais com os Estados Unidos devem passar por um período de reavaliação caso as declarações de Trump se transformem em ações diplomáticas concretas.
A governante dinamarquesa ainda ressalta que a cooperação militar na região do Ártico depende do respeito mútuo entre as nações, conforme estabelecem as regras da própria Organização do Tratado do Atlântico Norte.
O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca planeja convocar o embaixador americano em Copenhague para prestar esclarecimentos formais sobre o teor das declarações do presidente da República dos Estados Unidos.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

