
Lincoln Gakiya, promotor de Justiça
Lula Marques/Agência Brasil
Considerado o inimigo número um do crime organizado, o promotor Lincoln Gakiya é a peça central de uma engrenagem que tenta frear a expansão das facções no Brasil. Integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), sua trajetória se confunde com a própria história da luta contra o PCC.
Gakiya é o entrevistado do Canal Livre deste domingo (10). Dentre os temas abordados, ele fala sobre os 20 anos do maior ataque da facção no estado de São Paulo e os desafios do combate ao crime organizado.
O trabalho de Gakiya ultrapassa a simples investigação de rua. Ele foi o mentor estratégico da transferência da cúpula da facção para o sistema federal em 2019, um movimento que alterou o equilíbrio de poder no sistema prisional. Para o promotor, o isolamento dos líderes é o "oxigênio" que falta para sufocar o comando das ruas.
Viver sob escolta 24 horas por dia não é apenas um protocolo, mas uma necessidade vital. No último ano, operações de inteligência revelaram que planos de atentados contra sua vida continuam sendo uma prioridade para o crime organizado. Mesmo diante das ameaças, Gakiya mantém a postura combativa em fóruns públicos, alertando para o que chama de "mafização" das facções — o momento em que o lucro ilícito começa a lavar dinheiro em setores legítimos da economia e da política.
Em 2026, o diagnóstico do promotor é claro: o combate ao crime organizado exige uma união nacional que vá além da segurança pública, focando na inteligência financeira. Gakiya defende que, sem o bloqueio de bens e a cooperação entre estados, as facções continuarão a evoluir de grupos criminosos para verdadeiras corporações transnacionais.
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