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Quem é o juiz de 92 anos que conduzirá processo contra Maduro nos EUA

Hellerstein conduziu outros casos de grande repercussão internacional, como os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, e julgou o produtor de cinema Harvey Weinstein por crimes sexuais

Da Redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

05/01/2026 • 19:17 • Atualizado em 05/01/2026 • 19:24

Quem é o juiz de 92 anos que conduzirá processo contra Maduro nos EUA

Quem é o juiz de 92 anos que conduzirá processo contra Maduro nos EUA

REUTERS/Adam Gray

Aos 92 anos, o juiz federal Alvin K. Hellerstein é o magistrado responsável por conduzir o processo contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro na Justiça dos Estados Unidos. Nascido em 1933, em Nova York, Hellerstein integra o Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York, uma das cortes federais mais relevantes do país, com sede em Manhattan.

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Hellerstein conduziu outros casos de grande repercussão internacional, como os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, e julgou o produtor de cinema Harvey Weinstein por crimes sexuais. Ele também foi responsável por emitir decisão impedindo Trump de usar a Lei de Inimigos Estrangeiros e é crítico da deportação de imigrantes para prisões em outros países.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes das acusações federais, que incluem tráfico de drogas e outros crimes. Durante audiência de custódia realizada nesta segunda-feira, 5, no tribunal federal de Nova York, Maduro afirmou ao juiz que é o presidente da Venezuela e disse ter sido "sequestrado".

O casal foi capturado no último sábado, 3, durante uma operação militar norte-americana em Caracas e, em seguida, transferido para um presídio na cidade de Nova York. Os dois deverão voltar a comparecer ao tribunal no dia 17 de março, quando devem prestar depoimento. Ao deixar a audiência, Maduro afirmou em espanhol: "Sou um prisioneiro de guerra".

Hellerstein atua em regime de atividade parcial

Hellerstein foi nomeado juiz federal em 1998, durante o governo do então presidente Bill Clinton. A indicação ocorreu em 15 de maio daquele ano para ocupar a vaga deixada por Louis L. Stanton. Ele foi confirmado pelo Senado em 21 de outubro de 1998 e recebeu a comissão no dia seguinte.

Desde 30 de janeiro de 2011, o magistrado atua em regime de senior status, condição que permite a juízes federais mais experientes manterem atividade parcial no Judiciário. Mesmo assim, segue apto a conduzir processos de grande repercussão, como o caso envolvendo o governo venezuelano.

Formado pela Universidade Columbia, Hellerstein concluiu o bacharelado no Columbia College em 1954 e obteve o título de doutor em Direito pela Columbia Law School em 1956. No início da carreira, foi assessor jurídico do juiz Edmund Palmieri, também no Tribunal Distrital do Sul de Nova York.

Antes de chegar à magistratura federal, teve uma trajetória diversificada. Atuou no Corpo Jurídico do Exército dos Estados Unidos (JAG Corps) entre 1957 e 1960 e, em seguida, exerceu advocacia privada em Nova York por quase quatro décadas, de 1960 a 1998.

Maduro se declara inocente

Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, compareceram diante de um juiz federal dos Estados Unidos na região de Manhattan, em Nova York, nesta segunda-feira (5). Os dois enfrentam acusações de tráfico de drogas. Ao magistrado Alvin K. Hellerstein, Maduro se declarou inocente.

Segundo informações do jornal “The New York Times”, o agora ex-ditador venezuelano disse que foi “sequestrado” e retirado de sua casa em Caracas. Ele afirmou ainda que nunca havia visto o indiciamento contra ele até o dia de hoje. “Eu sou inocente, não sou culpado. Sou um homem decente, afirmou.

Em determinado momento, Maduro chegou a ser repreendido por Hellerstein por tentar fazer uma espécie de declaração sobre seu estado atual. O juiz pediu que ele prestasse atenção às regras do tribunal. Questionada, Cillia Flores também se declarou inocente de todas as acusações.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.