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Quem são os rebeldes Houthis e por que o grupo atacou Israel

Grupo extremista do Iêmen reivindicou ataques com mísseis balísticos contra Israel neste sábado (28); entenda as motivações do movimento aliado ao Irã e os riscos de uma escalada militar no Oriente Médio

Da redação
DA REDAÇÃO

28/03/2026 • 10:06 • Atualizado em 28/03/2026 • 10:06

Houthis são um grupo extremista do Iêmen

Houthis são um grupo extremista do Iêmen

Reuters

Os rebeldes Houthis, do Iêmen, voltaram ao centro das atenções mundiais neste sábado (28). Em um comunicado oficial, o grupo reivindicou a autoria de disparos de mísseis balísticos contra o sul de Israel, elevando a tensão em um Oriente Médio já fragilizado por conflitos regionais.

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Entenda quem é o grupo, quais são suas motivações e o que eles estão reivindicando:

Entrada oficial no conflito

Neste sábado (28), o porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, confirmou que o grupo lançou mísseis contra "alvos militares sensíveis" na região de Bersebá, em Israel. Segundo o comunicado transmitido pela TV Al-Masirah, a ofensiva é uma resposta direta à escalada militar na região e um gesto de apoio à República Islâmica do Irã e às frentes de resistência no Líbano e na Palestina.

O grupo ameaçou, ainda, retomar bloqueios e ataques a navios comerciais no Mar Vermelho, caso as operações militares contra seus aliados não sejam interrompidas. A ação marca uma mudança de postura, já que os Houthis mantinham um período de relativa calma operacional nos últimos meses.

Afinal, quem são os Houthis?

Oficialmente chamados de Ansar Allah (Partidários de Deus), os Houthis são um grupo político e militar da vertente xiita zaidita do Islã. Eles surgiram na década de 1990 no norte do Iêmen, inicialmente como um movimento de renascimento religioso e cultural para combater a influência da Arábia Saudita no país.

Ao longo das décadas, o movimento se transformou em uma poderosa força paramilitar. Em 2014, o grupo tomou a capital do Iêmen, Sanaã, desencadeando uma guerra civil que dura até hoje. Atualmente, os Houthis controlam grande parte do território iemenita, incluindo portos estratégicos.

O "eixo de resistência" e a conexão com o Irã

Os Houthis não atuam sozinhos. Eles fazem parte do chamado "Eixo de Resistência", uma coalizão informal liderada pelo Irã que inclui grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza.

Embora o grupo negue ser um "fantoche" de Teerã, o governo iraniano é o principal fornecedor de tecnologia militar, mísseis de longo alcance e drones para os rebeldes. Esse apoio permitiu que os Houthis deixassem de ser uma força regional para se tornarem um ator capaz de atingir alvos a milhares de quilômetros de distância e interromper o comércio global no Estreito de Bab al-Mandab.

O que o grupo reivindica?

As exigências dos Houthis para cessar os ataques de hoje e futuras ofensivas incluem:

  • "O fim imediato das operações militares contra o Irã e seus aliados regionais."
  • "A retirada de forças estrangeiras das águas territoriais próximas ao Iêmen."
  • "O reconhecimento de sua soberania sobre o território iemenita e o fim do bloqueio econômico imposto pela coalizão liderada pela Arábia Saudita."

A comunidade internacional observa com preocupação a movimentação deste sábado, uma vez que a entrada direta dos Houthis no conflito pode provocar uma resposta severa de Israel e de seus aliados ocidentais, ampliando o risco de uma guerra em escala continental.