
Divulgação/Enel
O apagão que atingiu a Grande São Paulo na semana passada e deixou cerca de 2,2 milhões de clientes sem energia voltou a colocar no centro do debate a continuidade da concessão da Enel na capital e em municípios da região metropolitana. Em meio às críticas de autoridades e à pressão pelo encerramento do contrato, a concessionária divulgou uma nota oficial em que defende seus investimentos e atribui o colapso no fornecimento a eventos climáticos extremos.
Segundo a Enel Brasil, a interrupção registrada em 10 de dezembro foi provocada por um ciclone extratropical considerado o mais intenso e prolongado desde 1963, com rajadas de vento de até 98 km/h por 12 horas consecutivas. A empresa afirma que o fenômeno causou danos severos à rede elétrica e a queda de centenas de árvores, dificultando o acesso das equipes aos pontos afetados. Apenas na capital, 145 árvores teriam caído diretamente sobre a rede.
Na nota, a distribuidora reforça a necessidade de uma “avaliação ampla e estrutural” para enfrentar os desafios do fornecimento de energia em uma metrópole como São Paulo, cada vez mais exposta a eventos climáticos extremos. Para a empresa, a solução passa por investimentos maciços em redes mais resilientes e digitalizadas, além da ampliação da distribuição subterrânea de energia — medida que, segundo a Enel, exige um plano coordenado com o poder público e definição de formas adequadas de remuneração.
A concessionária também destacou o volume de recursos já aplicados desde que assumiu a concessão, em 2018. De acordo com a empresa, foram investidos mais de R$ 10 bilhões até 2024. Para o período de 2025 a 2027, está em execução um plano considerado recorde, no valor de R$ 10,4 bilhões. A partir de 2024, a Enel afirma ainda ter reforçado o plano operacional, com a contratação de cerca de 1.600 novos profissionais para serviços em campo.
Em resposta direta ao apagão, a empresa informou que mobilizou até 1.800 equipes ao longo do dia do evento, número superior ao previsto no plano de contingência apresentado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mesmo assim, rajadas constantes de vento teriam provocado novas interrupções durante o processo de restabelecimento.
A Enel também rebateu críticas relacionadas à manutenção da rede. Segundo a concessionária, em 2024 e 2025 foram realizadas mais de 630 mil podas em toda a área de concessão, o dobro do registrado em anos anteriores. Somente em 2025, teriam sido feitas cerca de 230 mil podas na cidade de São Paulo. A empresa afirma que esses dados foram apresentados em reuniões com autoridades municipais e auditados pelo órgão regulador.
Apesar das justificativas, o episódio intensificou a pressão política pelo fim da concessão, diante da recorrência de falhas no fornecimento em eventos climáticos recentes. Na nota, a Enel sustenta que cumpre integralmente os indicadores regulatórios e que apresentou avanços nos índices de qualidade do serviço, conforme fiscalizações da Aneel.
Ao final, a companhia reafirma confiança no sistema jurídico e regulatório brasileiro e defende a segurança para investimentos de longo prazo.
Leia a nota na íntegra:
"A Enel Brasil reforça a importância de se realizar uma avaliação ampla para enfrentar de forma estrutural os desafios relacionados ao fornecimento de energia em uma cidade densamente populosa como São Paulo. Com as mudanças climáticas, a Grande São Paulo está cada vez mais exposta a eventos meteorológicos extremos. Essa avaliação deve ocorrer em um ambiente técnico adequado para garantir que as necessidades da população sejam efetivamente priorizadas .
A solução necessária exige investimentos maciços em redes resilientes e digitalizadas, além da implantação em larga escala de uma rede de distribuição subterrânea. Essa medida requer um plano estruturado e coordenado com as autoridades públicas, definindo as modalidades mais apropriadas para uma remuneração adequada desse investimento. A empresa está disposta a realizar esses investimentos como parte de uma estratégia compartilhada com todas as instituições envolvidas.
Desde que assumiu a concessão, em 2018, até 2024, a companhia investiu mais de R$ 10 bilhões em São Paulo. Para o período de 2025 a 2027, a distribuidora aprovou um plano de investimentos recorde, atualmente em execução, no valor de R$ 10,4 bilhões.
A partir de 2024, a Enel também reforçou seu plano operacional e ampliou a força de trabalho na área de concessão com a contratação de cerca de 1.600 novos profissionais para serviços operacionais.
Como resposta ao evento de 10 de dezembro, a distribuidora dedicou prontamente todos os seus esforços e recursos para atender os consumidores afetados pelo intenso ciclone extratropical que atingiu a área de concessão:
- Foram mobilizadas até 1.800 equipes ao longo do dia, número muito superior ao previsto no plano de contingência comunicado à Aneel, para restabelecer a energia elétrica, utilizando um número equivalente de veículos operacionais.
- Durante as operações de restabelecimento do serviço, rajadas constantes de vento causaram danos em diversos pontos da rede, provocando novas interrupções. A tempestade foi a mais intensa e prolongada registrada na região desde 1963, com ventos de até 98 km/h por 12 horas consecutivas.
- O ciclone provocou a queda de centenas de árvores que dificultaram o acesso às áreas afetadas, sendo 145 árvores diretamente sobre a rede elétrica apenas na capital, o maior número registrado nos últimos 15 meses.
- Em toda a área de concessão, em 2024 e 2025 foram realizadas mais de 630 mil podas, o dobro em relação aos anos anteriores. Somente em 2025, a Enel efetuou cerca de 230 mil podas de árvores na cidade de São Paulo, número muito superior ao amplamente subestimado divulgado nos últimos dias. Até novembro, a Enel realizou reuniões periódicas de alinhamento com as autoridades municipais, nas quais foram apresentados os dados oficiais auditados pelo regulador.
A distribuidora confirma o cumprimento integral dos indicadores regulatórios, tendo apresentado avanços consistentes em todos os índices relacionados à qualidade do serviço, conforme comprovado pelas fiscalizações recentemente realizadas pela agência reguladora.
A Enel Brasil reafirma sua confiança no sistema jurídico e regulatório brasileiro para garantir segurança e estabilidade aos investidores com compromissos de longo prazo no país.”
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