Band Jornalismo

Fernando Schüler analisa decisão do STF sobre supersalários

O cientista político destaca o impacto da reintrodução do adicional por tempo de serviço e a inércia do Congresso Nacional frente à reforma administrativa

Por Redação
REDAÇÃO

27/03/2026 • 23:44 • Atualizado em 27/03/2026 • 23:44

Fernando Schüler

Mais uma vez, o Supremo Tribunal Federal (STF) posicionou-se no centro do debate político brasileiro com uma decisão decisiva sobre os chamados "supersalários" no funcionalismo público. Para o cientista político Fernando Schüler, a Corte acabou por ocupar um espaço deixado vago pelo Poder Legislativo e pelo Executivo.

Compartilhar

A decisão do STF estabelece que, para além do teto constitucional vigente — hoje fixado em pouco mais de R$ 46.300, valor correspondente ao salário de um ministro do Supremo —, haverá uma margem de acréscimo de até 70%. Segundo Schuler, essa "equação" divide-se em duas frentes principais:

  1. Verbas Indenizatórias: O Supremo definiu oito tipologias de verbas. O cientista político aponta como um elemento positivo o fato de a decisão ter proibido diversos tipos de "penduricalhos" (benefícios extras) que inflavam os vencimentos sem critérios claros.
  2. Adicional por Tempo de Serviço: Por outro lado, a Corte reintroduziu o adicional de 5% a cada cinco anos de trabalho. Na prática, em uma carreira de 35 anos, um servidor poderá acumular sete aumentos sucessivos, elevando o teto real muito acima do limite constitucional previsto.

Inércia Política e a Falta de Reforma

Para Fernando Schüler, o STF "alterou e mudou o teto constitucional do vencimento do serviço público no Brasil", mas ressalta que essa é uma discussão que, originalmente, deveria caber ao Congresso Nacional.

Schüler critica o que chama de "rigorosa inércia" tanto do Legislativo quanto do Executivo. Segundo ele, o "mundo político" evita tomar decisões impopulares ou complexas sobre a estrutura do Estado, permitindo que o Judiciário assuma o papel de legislador.

O analista conclui que essa fragmentação de decisões — ora proibindo penduricalhos, ora reintroduzindo bônus — é reflexo da ausência de uma reforma administrativa ampla e profunda. "Esse tema, como muitos outros, acabou ficando para 2027", lamenta Schüler, sinalizando que a reestruturação do Estado brasileiro permanece em um horizonte distante enquanto os poderes eleitos não assumirem o protagonismo da pauta.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber