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Suplementos lideram buscas no Brasil, mas 65% reprovam na Anvisa

Popularidade de whey e creatina cresce enquanto dois terços dos suplementos apresentam irregularidades e normas seguem em transição até 2026

Da redação
DA REDAÇÃO

01/12/2025 • 18:32 • Atualizado em 01/12/2025 • 18:32

Suplementos foram proibidos pela Anvisa

Suplementos foram proibidos pela Anvisa

Reprodução/Pixabay

Dois em cada três suplementos alimentares analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentam algum tipo de irregularidade. O número, consolidado no levantamento mais recente da agência, indica que 65% dos produtos avaliados até julho de 2025 foram reprovados em etapas essenciais para garantir a segurança do consumo. A triagem incluiu análises de ingredientes, verificação de doses e testes de pureza e estabilidade.

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As falhas incluem desde a presença de substâncias proibidas e doses acima do permitido até a ausência de estudos laboratoriais que comprovem a qualidade e a durabilidade dos compostos. Em alguns casos, a agência identificou produtos com ingredientes não declarados no rótulo ou formulações que se aproximam do efeito farmacológico, embora sejam vendidos como alimentos.

Especialistas classificam esse cenário como uma “zona cinzenta”, em que suplementos transitam entre o universo dos alimentos e o dos medicamentos sem cumprir integralmente os requisitos de nenhum dos dois.

Mesmo diante da alta taxa de reprovação, a Anvisa prorrogou até setembro de 2026 o prazo para que empresas do setor se adequem às normas de qualidade e segurança — originalmente previstas para entrar em vigor neste ano.

Até lá, boa parte do mercado segue operando sob regras de transição, o que mantém consumidores expostos a produtos com baixa rastreabilidade ou sem evidência robusta de segurança.

Popularidade cresce mais rápido do que a regulação

O avanço do consumo contribui para ampliar as preocupações. Dados da Sala Digital mostram que o interesse por suplementos como whey protein, creatina, vitaminas e termogênicos cresceu de forma expressiva nos últimos anos, deixando de ser tema restrito a praticantes de atividade física.

Entre as buscas associadas a “whey”, aparecem termos como “whey para idosos”, “whey para crianças” e “whey para gestantes”, indicando que públicos de perfis muito diferentes têm recorrido a esses produtos, muitas vezes sem orientação médica ou nutricional.

Esse movimento também se reflete nas dúvidas mais procuradas. Perguntas como “whey vencido faz mal?” e “creatina vencida faz mal?” ocupam posições de destaque entre as buscas sobre segurança de alimentos e suplementos.

O interesse revela que, embora os produtos tenham ganhado popularidade, parte significativa dos consumidores ainda desconhece seus riscos, seus limites de uso e a necessidade de verificar procedência e registro antes da compra.

Riscos vão de lesões hepáticas a efeitos cardiovasculares

Segundo especialistas consultados pela Anvisa, suplementos consumidos sem acompanhamento podem causar efeitos adversos, especialmente quando há doses excessivas ou presença de substâncias não declaradas.

Entre os riscos mais frequentes estão lesões hepáticas, sobrecarga renal, alterações cardiovasculares e interação com medicamentos de uso contínuo.

Esses danos costumam ser silenciosos e cumulativos, o que torna ainda mais difícil identificar sua origem sem exames específicos. Por isso, a orientação regulatória permanece a mesma: nenhum suplemento deve substituir alimentação equilibrada, investigação clínica ou prescrição profissional.

Mercado aquecido, informação desigual

O setor de suplementos movimenta bilhões de reais por ano no Brasil, impulsionado por estratégias de marketing, promessas de perda de peso e melhora de performance, além da sensação de “produto natural” associada a cápsulas e pós.

Entretando, os dados regulatórios e comportamentais tanto da Anvisa quanto da Sala Digital, sinalizam que a expansão do mercado não tem sido acompanhada pelo mesmo ritmo de fiscalização, transparência e educação em saúde.

Com a prorrogação do prazo de adequação, o mercado seguirá em transição até 2026. Para o consumidor, a recomendação é objetiva: verificar o número de notificação da Anvisa no rótulo, checar fabricante e CNPJ, desconfiar de promessas milagrosas e evitar produtos vendidos sem nota fiscal ou em plataformas que não garantem procedência.

Até que o novo marco regulatório seja plenamente aplicável, especialistas reforçam que cautela é essencial, especialmente em um país onde o consumo cresce mais rápido do que o controle sanitário e onde dois terços dos suplementos avaliados simplesmente não atendem às regras básicas de segurança.

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